
Em 19 de março de 2026, quatro especialistas da BBC Sport se reuniram num estúdio com uma tela de plasma e uma missão ambiciosa: imaginar como será o futebol em 2036. Hugh Ferris, Jacqui Oatley, Nedum Onuoha e o jornalista Rory Smith não pouparam palavras. E para o Brasil, que sonha com o Hexa desde 1970, as conclusões desse debate têm implicações diretas.
O debate que sacudiu o mundo do futebol
Quatro mentes brilhantes do futebol europeu se encontraram para discutir o impensável: como será o belo jogo daqui a uma década? O debate promovido pela BBC Sport tocou em temas explosivos — desde os salários astronômicos dos jogadores até o futuro dos clubes amadores, passando pela tecnologia que promete revolucionar tudo dentro e fora de campo.
Nedum Onuoha, ex-defensor do Manchester City e hoje comentarista respeitado, foi direto ao ponto: o futebol de 2036 não vai se parecer com o que conhecemos hoje. A velocidade das mudanças tecnológicas, financeiras e culturais está transformando o esporte mais popular do planeta em algo fundamentalmente diferente.
Inteligência artificial e tecnologia: o futebol do futuro já está chegando
O tema que gerou mais debate entre os especialistas da BBC Sport foi a inteligência artificial (Artificial Intelligence, AI). Em 2036, treinadores poderão contar com análises táticas em tempo real geradas por IA, sistemas de previsão de lesões com precisão de 90% e plataformas de recrutamento que vasculham o mundo em busca de talentos de apenas 12 anos.
Para o Brasil, isso é ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça. O país que formou Pelé, Ronaldo, Ronaldinho e Neymar sempre se diferenciou pela habilidade técnica e pela criatividade inata dos seus jogadores. Mas se o futebol de 2036 for dominado por dados e algoritmos, as escolinhas de várzea de São Paulo ou do Nordeste precisarão de muito mais do que bola e ginga para revelar os campeões do futuro.
Rory Smith, jornalista do New York Times e voz global do futebol, alertou: ‘A próxima geração de técnicos não será escolhida pela intuição, mas pela capacidade de interpretar dados em tempo real. Isso muda tudo.’
Salários e desigualdade: o Brasil vai conseguir competir?
Jacqui Oatley trouxe para o debate um ponto incômodo: os salários dos jogadores de elite estão crescendo em velocidade que poucos conseguem acompanhar. Em 2036, estima-se que as maiores estrelas da Premier League e da Champions League possam ganhar o equivalente a 5 ou 6 milhões de euros por semana.
O Brasil enfrenta um dilema histórico: o país forma os melhores jogadores do mundo, mas não consegue retê-los. Vinicius Jr., Rodrygo, Endrick — todos partiram para a Europa ainda jovens. Em 2036, essa tendência deve se intensificar, com clubes europeus usando IA para identificar e contratar talentos brasileiros cada vez mais cedo.
A pergunta que fica é: o Brasileirão será capaz de competir financeiramente com as ligas europeias na próxima década, ou o Brasil continuará sendo apenas um celeiro de talentos para o mundo?
O futuro dos clubes amadores: a base do futebol brasileiro em risco?
Um dos momentos mais marcantes do debate da BBC Sport foi a menção ao Glasshoughton Welfare FC, um clube amateur inglês que simboliza os milhares de equipes de base que podem desaparecer nos próximos dez anos. O modelo econômico do futebol de elite está sufocando a base.
No Brasil, a realidade não é muito diferente. Milhares de clubes de várzea, escolinhas de bairro e equipes amadoras funcionam com recursos mínimos e paixão enorme. Se o futebol continuar se concentrando nos grandes centros e nas grandes fortunas, essa rede essencial de formação pode colapsar.
Hugh Ferris foi enfático no debate: ‘Sem base, não há topo. Os clubes que investem em formação hoje colherão os frutos em 2036. Os que não investirem simplesmente deixarão de existir.’
Brasil em 2036: o Hexa pode vir nesse novo futebol?
A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo de 2026 com a missão sagrada do Hexa. Mas olhando para 2036, a pergunta é outra: o Brasil estará preparado para o futebol que vem por aí? Vinicius Jr. terá 35 anos em 2036. Endrick terá apenas 27. A janela de ouro para o Brasil pode ser justamente entre 2030 e 2038.
O debate da BBC Sport serve de alerta: os países que investirem em tecnologia, formação e infraestrutura agora serão os dominantes em 2036. O Brasil tem o talento. O que falta é o sistema — e a vontade de modernizar o futebol do campo até a sede da CBF.
Uma coisa os especialistas concordaram: o futebol de 2036 será apaixonante. Mais rápido, mais tecnológico, mais global. E se o Brasil souber jogar bem as suas cartas nos próximos dez anos, o Hexa pode vir não em 2026, mas na era que está por chegar.
FAQ
O que os especialistas da BBC Sport dizem sobre o futebol em 2036?
Hugh Ferris, Jacqui Oatley, Nedum Onuoha e Rory Smith debateram que o futebol de 2036 será dominado por inteligência artificial, salários ainda maiores e uma crescente desigualdade entre clubes ricos e pobres. A tecnologia vai transformar tudo: tática, recrutamento e experiência do torcedor.
O Brasil pode ganhar a Copa do Mundo de 2034 ou 2038?
Com Vinicius Jr. ainda em boa fase e Endrick chegando ao auge entre 2030 e 2038, o Brasil tem uma janela real de oportunidade. O Hexa pode vir nesse período — se a CBF modernizar o sistema de formação e o Brasil souber usar as ferramentas tecnológicas do futebol moderno.
Como a inteligência artificial vai mudar o futebol?
A IA vai permitir análises táticas em tempo real, previsão de lesões com alta precisão, sistemas de recrutamento globais e personalização da experiência do torcedor. Os treinadores de 2036 precisarão ser especialistas em dados, não apenas em táticas tradicionais.
Os clubes amadores de futebol vão sobreviver até 2036?
É uma das maiores preocupações levantadas no debate da BBC Sport. Se o abismo financeiro entre elite e base continuar crescendo, muitos clubes amadores — no Brasil e no mundo — podem desaparecer por falta de recursos e visibilidade.
Quais jogadores brasileiros estarão em destaque em 2036?
Endrick terá 27 anos em 2036 e deve estar no auge da carreira. Outros jovens talentos que surgem hoje, como Estevão e futuras revelações das escolinhas brasileiras, podem ser as estrelas da seleção nessa época.
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