
A Copa do Mundo com 64 seleções deixou de ser conversa de bastidor. Gianni Infantino disse à emissora suíça Blue Sport que a Fifa vai estudar o formato em detalhes assim que a Copa de 2026 acabar, defendendo que o torneio precisa ser “para o mundo inteiro”. A ideia, aliás, nasceu na América do Sul: foi a Conmebol que colocou a proposta na mesa. Para o Brasil, hexacampeão em busca do título, a mudança teria efeito duplo — classificação praticamente garantida, mas um caminho ainda mais longo até a final.
O que Infantino disse de fato
Perguntado se o Mundial poderia crescer para 64 seleções, Infantino respondeu que “esses são todos assuntos que vamos examinar depois da Copa do Mundo”. O presidente da Fifa, no cargo desde 2016, argumentou que ao organizar um Mundial é preciso pensar no planeta inteiro, e citou o sucesso do formato atual de 48 seleções como prova de que a expansão funciona.
A proposta foi apresentada no ano passado e tem forte apoio sul-americano, com a ideia de dar a mais países o direito de disputar o palco máximo. Ainda assim, nada está aprovado: qualquer mudança precisa passar pelo Conselho da Fifa, e a avaliação só começa depois que o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México terminar.
O que muda para a Seleção Brasileira
Com 64 seleções, a vaga do Brasil nas Eliminatórias viraria quase formalidade. A América do Sul, que hoje tem seis vagas diretas e uma na repescagem entre dez países, passaria a ver praticamente todo o continente classificado. O peso das Eliminatórias — historicamente o teste mais duro do futebol sul-americano — cairia drasticamente.
O lado difícil é o desgaste. Um Mundial ampliado significaria mais jogos até o título, provavelmente oito ou nove em vez dos sete atuais, em plena virada de temporada europeia. Para um elenco cujos titulares atuam no Real Madrid, no Barcelona e na Premier League, a gestão de minutos e o risco de lesão passariam a ser tão decisivos quanto o esquema tático.
Há ainda o efeito competitivo. Mais seleções na fase de grupos significa mais confrontos desequilibrados no início, o que reduz o ritmo de jogo que o Brasil precisa para chegar afiado ao mata-mata.
A resistência europeia ao formato
A Uefa é a principal opositora. Aleksander Ceferin classificou a ideia de 64 seleções como “ruim”, argumentando que ela diluiria o valor da Copa e esvaziaria a emoção das Eliminatórias. Federações europeias temem que a primeira fase vire apenas um aquecimento para as grandes seleções.
Existe também o problema logístico: mais times exigem mais estádios, mais cidades-sede e mais espaço em um calendário internacional já congestionado pela Liga das Nações, pelo Mundial de Clubes e pelas competições continentais. Os sindicatos de jogadores vêm alertando há meses sobre a sobrecarga física.
Quando a decisão pode sair
Nenhuma decisão será tomada antes do fim da Copa de 2026. A edição mais citada para uma eventual estreia do formato é a de 2030, que marca o centenário do torneio e já terá caráter global: Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais, com jogos de abertura na América do Sul, incluindo o Uruguai, berço da primeira Copa.
É justamente esse simbolismo do centenário que sustenta o argumento a favor das 64 seleções — abrir a festa para o maior número possível de países. A palavra final caberá ao Conselho da Fifa, provavelmente em 2027.
FAQ
A Copa do Mundo vai mesmo ter 64 seleções?
Nada foi decidido. Infantino apenas confirmou que a Fifa vai analisar a proposta em detalhes depois da Copa de 2026. Qualquer mudança precisa ser aprovada pelo Conselho da Fifa.
A partir de qual edição o formato de 64 seleções poderia valer?
A hipótese mais citada é a Copa de 2030, que celebra o centenário do torneio e será sediada por Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos de abertura na América do Sul.
Quem propôs a Copa com 64 seleções?
A proposta partiu da América do Sul, com apoio da Conmebol, e foi apresentada no ano passado com a ideia de ampliar o acesso ao Mundial do centenário.
O que muda para o Brasil nas Eliminatórias?
A vaga se tornaria praticamente garantida, já que quase todo o continente sul-americano se classificaria. Em compensação, o caminho até o título dentro do Mundial ficaria mais longo, com oito ou nove jogos.
Quantas seleções disputam a Copa do Mundo de 2026?
São 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro, no torneio organizado por Estados Unidos, Canadá e México. É o sucesso desse formato que Infantino usa como base para estudar a expansão para 64.
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