
Uma Copa do Mundo com 64 seleções deixou de ser conversa de bastidor. Gianni Infantino, presidente da FIFA desde 2016, abriu publicamente a porta para dobrar o tamanho do torneio em relação a 2018. O Mundial de 2026, que já saltou de 32 para 48 seleções, viraria apenas uma escala. Para a Seleção Brasileira e para os clubes que cedem jogadores, a conta é direta: mais jogos, menos descanso, calendário estourado.
O que Infantino disse de fato
Infantino defendeu a ideia em nome das federações menores: sem ampliação, elas nunca teriam chance de disputar um Mundial. O argumento não é novo. Ele foi eleito em 2016 com um programa que já incluía aumentar o tamanho da Copa, promessa cumprida com os 48 times de 2026.
A lógica da gestão Infantino cabe em uma frase: mais é melhor. Mais torneios, mais jogos, mais dinheiro. O novo Mundial de Clubes, os ingressos mais caros e até um intervalo de final esticado para 27 minutos e 22 segundos, no estilo Super Bowl.
O que muda para a Seleção Brasileira
Com 64 seleções, o torneio ganharia mais uma fase eliminatória. O campeão precisaria de cerca de oito jogos em vez de sete. Para o Brasil, que historicamente vai longe, isso significa carga extra sobre atletas que já acumulam Champions League, campeonatos nacionais e copas.
Há um lado favorável: eliminatórias mais largas reduziriam o risco de tropeço em uma classificação. Mas a fase de grupos perderia densidade, com mais confrontos desequilibrados antes dos jogos que realmente valem.
Clubes brasileiros e o calendário
Os clubes do Brasil sentiriam o efeito duas vezes: perdem jogadores por mais tempo durante o torneio e recebem atletas mais desgastados na volta. A pré-temporada, já espremida, encolheria ainda mais.
Sindicatos de jogadores e ligas europeias já questionam juridicamente a saturação do calendário imposta pela FIFA. Um Mundial ainda maior tornaria esse conflito inevitável.
Um projeto longe de estar aprovado
Nenhuma decisão formal foi tomada. O formato de 64 seleções não foi submetido ao Conselho da FIFA para aprovação, e UEFA e CONMEBOL já manifestaram ressalvas públicas. Por enquanto é balão de ensaio, não calendário oficial.
A Copa de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, com 48 seleções, funcionará como teste real. Se o resultado financeiro agradar, o argumento de Infantino ganha força para 2030.
FAQ
A Copa de 2026 terá 64 seleções?
Não. O Mundial de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, será disputado com 48 seleções. A ideia de 64 diz respeito a uma edição futura e não foi aprovada oficialmente.
Por que Infantino quer ampliar a Copa?
O argumento público é dar acesso às federações menores. Na prática, um torneio maior gera mais partidas, o que significa mais direitos de TV e mais receita comercial para a FIFA.
Quantos jogos o campeão precisaria disputar?
Com 64 seleções seria necessária uma fase eliminatória a mais, levando o campeão a cerca de oito jogos, contra sete no formato de 48 seleções.
Como isso afeta os jogadores brasileiros?
Ausência mais longa durante o torneio e pré-temporada reduzida na volta. O acúmulo de jogos aumenta o risco de lesões, especialmente para quem também disputa competições europeias.
A CONMEBOL apoia a proposta?
A CONMEBOL chegou a manifestar interesse em ampliação ligada ao centenário da Copa, mas não existe consenso entre as confederações. A UEFA expressou reservas públicas ao formato de 64.
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