
A França abriu oficialmente a porta para uma candidatura conjunta com a Alemanha para sediar a Copa do Mundo de 2038. Em entrevista à rádio francesa Sud Radio nesta quinta-feira (23), a ministra dos Esportes Marina Ferrari elogiou a ideia revelada pelo jornal Le Parisien e afirmou que receber grandes eventos esportivos está no centro da estratégia francesa para os próximos anos. Nada foi assinado nem protocolado na FIFA: por enquanto é sinalização política, não candidatura formal. Mas o movimento reorganiza o tabuleiro de uma disputa que interessa diretamente ao Brasil.
O que a ministra francesa disse de fato
Marina Ferrari não anunciou uma candidatura, ela recebeu bem a ideia. Questionada sobre a reportagem do Le Parisien que falava em um projeto franco-alemão para 2038, a ministra dos Esportes da França respondeu que sediar grandes competições internacionais faz parte da estratégia esportiva do país para a próxima década. É a linguagem típica da fase inicial de qualquer processo de candidatura.
A diferença importa. Uma candidatura à Copa exige garantias governamentais, plano de segurança, transporte, hospedagem e estádios homologados pela FIFA. Nenhum desses documentos existe publicamente hoje. O que existe é um sinal claro de que Paris não descarta o projeto e pode assumi-lo caso Berlim se mova primeiro.
Por que 2038 e não antes: as três edições já definidas
2038 é a primeira janela realmente livre para um projeto europeu. A Copa de 2026 acontece nos Estados Unidos, Canadá e México com 48 seleções e 104 jogos. A de 2030 foi entregue a Espanha, Portugal e Marrocos, com três partidas de abertura no Uruguai, na Argentina e no Paraguai para marcar o centenário do torneio. A de 2034 será na Arábia Saudita. Só depois disso o rodízio continental volta a abrir espaço para Europa.
Esse calendário explica por que a conversa sobre 2038 já começou em 2026. Doze anos de antecedência parecem exagero, mas grandes candidaturas se constroem com anos de articulação política dentro da UEFA e do Conselho da FIFA, muito antes de qualquer voto.
E o Brasil? O que o país tem em jogo até 2038
O Brasil não está na disputa por 2038 e, na prática, não tem motivo imediato para estar. O país sediou a Copa de 2014 e vai receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, escolhida em votação da FIFA em 2024, o que consome boa parte da capacidade de organização e do apetite político por megaeventos nos próximos anos. Uma nova candidatura masculina brasileira só faria sentido em ciclos posteriores.
Há também o fator infraestrutura. Arenas como Maracanã, Mineirão, Arena MRV, Neo Química Arena, Allianz Parque e Arena Fonte Nova seguem operacionais e receberão jogos do torneio feminino de 2027, o que mantém o parque de estádios em uso, mas o gargalo brasileiro histórico nunca foi o estádio, e sim aeroportos, mobilidade urbana e hospedagem. É exatamente aí que França e Alemanha largam na frente.
Brasileiros na Europa: por que uma Copa franco-alemã interessa ao torcedor daqui
Uma Copa organizada por França e Alemanha significaria jogos em estádios que boa parte dos brasileiros já conhece pela TV. O Parc des Princes, casa do Paris Saint-Germain, e o Vélodrome, do Olympique de Marseille, foram palco de gerações de brasileiros na Ligue 1, de Rai e Ronaldinho Gaúcho a Neymar, Marquinhos e Lucas Paquetá. Na Alemanha, o Allianz Arena e o Signal Iduna Park receberam nomes como Zé Roberto, Elber, Dante e Rafinha.
Para o torcedor brasileiro, o efeito prático é de fuso horário e acesso. Uma Copa na Europa Central coloca os jogos entre a manhã e a tarde no horário de Brasília, o cenário mais favorável para audiência que o Brasil já viveu fora das Américas, muito diferente da madrugada imposta por edições na Ásia.
Quem mais deve disputar 2038
A dupla França-Alemanha não estaria sozinha. Reino Unido e Irlanda, que organizam a Eurocopa de 2028, aparecem com frequência como candidatos naturais, já que a Inglaterra não sedia uma Copa desde 1966. Blocos da Ásia e da América do Sul também podem se posicionar, respeitando as regras de rotação continental da FIFA.
O formato de 48 seleções é o que empurra todo mundo para candidaturas conjuntas. Com 104 partidas e a exigência de cerca de 16 estádios de grande porte, além de dezenas de centros de treinamento, praticamente nenhum país europeu consegue sediar sozinho. França e Alemanha juntas conseguiriam sem erguer um único estádio novo.
FAQ
A França já é candidata oficial à Copa do Mundo de 2038?
Não. A ministra dos Esportes Marina Ferrari apenas elogiou a ideia de uma candidatura conjunta com a Alemanha em entrevista à Sud Radio em 23 de julho de 2026. Nenhum dossiê foi entregue à FIFA e não há decisão formal da federação francesa.
O Brasil pode sediar a Copa de 2038?
É improvável. O Brasil sediou a Copa masculina de 2014 e vai receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, e não apresentou qualquer manifestação de interesse pela edição de 2038 até o momento.
Por que a Europa só pode sediar a Copa em 2038?
Porque as três próximas edições já estão definidas: 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, 2030 na Espanha, Portugal e Marrocos com três jogos na América do Sul, e 2034 na Arábia Saudita. Pelo rodízio continental da FIFA, 2038 é a primeira janela aberta para um projeto europeu.
Quando a FIFA escolhe o país-sede de 2038?
Ainda não há data definida. A FIFA costuma abrir o processo de candidatura entre seis e oito anos antes do torneio, o que colocaria a decisão por volta do início da década de 2030.
França e Alemanha já sediaram Copas do Mundo?
Sim. A França organizou em 1938 e em 1998, quando foi campeã ao vencer o Brasil por 3 a 0 na final do Stade de France. A Alemanha sediou em 1974 e em 2006, além da Eurocopa de 2024.
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