Salário de mais de 30 milhões de euros: revelado o plano secreto de Infantino para vender a Copa do Mundo

FIFA president Gianni Infantino at a press conference discussing World Cup commercial rights

Mais de 30 milhões de euros por ano, bônus incluídos. Esse seria o pagamento de Gianni Infantino caso o projeto FIFA Forward Enterprise tivesse saído do papel, de acordo com revelação do jornal britânico The Times. A ideia era direta: vender 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo por meio de uma empresa criada especificamente para isso, movimentando cerca de 3,65 bilhões de euros. O plano foi alvo de críticas duras e acabou engavetado, mas o valor previsto para o presidente da entidade reacendeu uma discussão que o Brasil conhece bem: quem realmente fica com o dinheiro que o futebol gera?

O que o relatório do The Times realmente diz

O The Times afirma que o contrato ligado ao projeto FIFA Forward Enterprise previa remuneração superior a 30 milhões de euros para Gianni Infantino, já considerando bônus. Para efeito de comparação, os relatórios financeiros publicados anualmente pela própria FIFA registram a remuneração do presidente na casa dos milhões de francos suíços, não em dezenas de milhões de euros. A diferença de escala é o ponto central da polêmica.

A estrutura envolvia uma empresa criada para vender 20% dos direitos da Copa do Mundo a investidores externos, com receita estimada em torno de 3,65 bilhões de euros. É dinheiro imediato, mas em troca de uma fatia da receita futura da competição mais lucrativa do planeta.

Vale o registro necessário: essas informações vêm de uma reportagem, não de um documento oficial divulgado pela FIFA. O projeto teria sido abandonado após resistência interna. Enquanto não houver confirmação oficial de Zurique, os números seguem no campo da apuração jornalística.

Por que o Brasil tem motivo de sobra para acompanhar esse caso

O Brasil é o país que mais exporta jogadores para o mundo e o único pentacampeão mundial. Nenhuma seleção alimenta tanto o produto Copa do Mundo em audiência, marketing e narrativa. Ainda assim, a maior parte do dinheiro gerado pelo torneio é distribuída segundo critérios definidos em Zurique, não em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

Para a CBF, o tema é prático. As federações nacionais recebem repasses dos programas de desenvolvimento da FIFA, e o Brasileirão convive com clubes em recuperação judicial e orçamentos apertados frente às ligas europeias. Se uma parte dos direitos da Copa migrasse para investidores privados, a pergunta seria imediata: quanto sobra, no longo prazo, para a redistribuição às federações?

Os clubes brasileiros também entram na conta. Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo formam atletas desde a base, bancam categorias de base caras e liberam jogadores para a seleção. O programa de compensação a clubes da FIFA existe, mas o valor que retorna ao futebol formador brasileiro é uma fração mínima do que o torneio arrecada.

Vender 20% da Copa: o risco real do modelo

Vender uma fatia de direitos significa receber agora e abrir mão depois. O futebol brasileiro conhece esse filme: vários clubes anteciparam receitas de direitos de TV e de transferências junto a fundos de investimento para tapar buracos de curto prazo e passaram anos comprometidos com dívidas e recebíveis já vendidos.

Aplicado à Copa do Mundo, o efeito seria muito maior. A edição de 2026, com 48 seleções e 104 jogos nos Estados Unidos, Canadá e México, deve gerar a maior receita da história do torneio. Vender uma parte desse fluxo antes da bola rolar seria entregar um pedaço do ativo mais valioso do futebol mundial justamente quando ele atinge o pico de valor.

Foi esse argumento que, segundo o The Times, gerou a reação contrária dentro da entidade. Uma organização que se apresenta como associação sem fins lucrativos a serviço de 211 federações filiadas tem dificuldade em justificar a transferência de parte do seu principal ativo para o mercado financeiro.

Governança: o problema histórico de transparência da FIFA

A FIFA divulga relatórios financeiros anuais com a remuneração de seus dirigentes. O incômodo, portanto, não é a existência de um salário, e sim o fato de um valor dessa magnitude ter sido cogitado dentro de um projeto cuja dimensão, segundo a reportagem, não estava clara para as federações filiadas.

O tema é sensível porque a era iniciada em 2016 foi vendida como ruptura. Depois do escândalo que derrubou a gestão anterior, a FIFA prometeu regras reforçadas de governança, um comitê de remuneração independente e mais transparência. Cada revelação desse tipo é medida contra essa promessa.

No Brasil, o debate se conecta a outra discussão em andamento: a profissionalização da gestão do futebol, a Lei da SAF e a exigência crescente de prestação de contas por parte de clubes e federações. Cobrar transparência lá fora fica mais fácil quando ela avança aqui dentro.

O que observar nas próximas semanas

Primeiro ponto: uma manifestação oficial da FIFA. Enquanto a entidade não confirmar, negar ou contextualizar os números do The Times, a informação deve ser tratada com cautela.

Segundo ponto: a posição das confederações. Conmebol e UEFA têm peso real no Congresso da FIFA, e o posicionamento (ou o silêncio) delas indicará a real força política do assunto.

Terceiro ponto: o calendário. Faltando poucos meses para a Copa de 2026, a FIFA tem forte interesse em encerrar o desgaste antes do início do torneio, quando a exposição midiática é máxima.

FAQ

Qual seria o salário de Infantino nesse projeto?

De acordo com o jornal britânico The Times, Gianni Infantino receberia mais de 30 milhões de euros, incluindo bônus, no âmbito do projeto FIFA Forward Enterprise. O valor vem de uma reportagem e não foi confirmado oficialmente pela FIFA.

O que era o projeto FIFA Forward Enterprise?

Era um plano para vender 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo por meio de uma empresa criada para essa finalidade, com receita estimada em cerca de 3,65 bilhões de euros. O projeto teria sido abandonado após críticas.

O plano chegou a ser executado?

Não. Segundo o The Times, a proposta enfrentou forte resistência e acabou não sendo adiante. Nenhuma venda de direitos da Copa do Mundo a investidores externos foi oficializada.

Isso afeta o Brasil e a CBF de alguma forma?

Não há efeito direto, já que o plano não avançou. Mas a CBF e os clubes brasileiros dependem em parte dos repasses da FIFA, o que torna o tema relevante para toda a cadeia do futebol nacional.

Essas informações são oficiais?

Não. Trata-se de uma apuração do The Times baseada em documentos e fontes internas. A FIFA não publicou confirmação oficial dos valores citados, então os números devem ser tratados como revelação jornalística.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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