
A Fifa foi para o ataque. A entidade criticou duramente o que chamou de “esforço concertado e contínuo” para “minar” a organização e seu presidente, Gianni Infantino. O pronunciamento veio depois de uma reportagem do Daily Telegraph que afirma que uma mulher apontada como ex-companheira de Infantino teria recebido uma verba rescisória da Uefa, no período em que ele era secretário-geral da entidade europeia. Um porta-voz da Fifa respondeu ao jornal que Infantino “nega veementemente” as acusações e que elas são “categoricamente falsas”. A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, a briga no topo do futebol mundial está aberta.
O que a Fifa disse — e o que ela não disse
A Fifa afirma existir um “esforço concertado e contínuo” para desestabilizar a entidade e seu presidente. É uma escolha de palavras deliberada: não se trata, no discurso oficial, de uma matéria isolada de jornal, mas de uma articulação organizada. O que a nota não faz é apontar nomes, veículos ou federações.
Sobre o conteúdo da reportagem, a resposta é frontal: Infantino “nega veementemente” e as alegações seriam “categoricamente falsas”. Vale o registro que todo torcedor brasileiro já aprendeu a fazer: até aqui não há confirmação oficial da Uefa, de órgão regulador ou de qualquer instância judicial sobre a existência do pagamento citado. São alegações de imprensa, contestadas pelo próprio envolvido.
Contexto para quem chegou agora: Infantino foi secretário-geral da Uefa entre 2009 e 2016, antes de assumir a Fifa no lugar de Joseph Blatter. O período sob escrutínio é o europeu, não o mandato atual.
O desgaste vinha de antes: o caso Fifa Forward Enterprise
A crise não nasceu com essa reportagem. Infantino já havia pedido desculpas publicamente pela proposta do “Fifa Forward Enterprise”, episódio que expôs o desconforto interno na entidade. Passado o pedido de desculpas, a Fifa retomou o ritmo normal de trabalho — e é justamente isso que incomoda parte dos críticos.
Pedir desculpas e seguir como se nada tivesse acontecido é o tipo de gesto que alimenta quem defende mais controle sobre a presidência. Ainda assim, é preciso ser justo com os fatos: nenhuma federação registrou moção contra Infantino nem anunciou candidatura de oposição até o momento.
No futebol, campanhas de bastidor raramente aparecem em comunicado oficial. Elas aparecem em votação de congresso. Enquanto não houver isso, o que existe é ruído — barulhento, mas ruído.
O que muda para o Brasil e para a Seleção
Nada muda no gramado. A Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, mantém o formato de 48 seleções, e o caminho do Brasil no Grupo C — contra Marrocos, Haiti e o vencedor de uma repescagem — não depende de disputa política em Zurique.
O impacto real é institucional. É a Fifa que define calendário internacional, janelas de convocação e as regras do Mundial de Clubes — temas que afetam diretamente Flamengo, Palmeiras, Fluminense e os clubes que negociam liberação de atletas com a Europa. Uma presidência enfraquecida negocia pior com as ligas europeias, e quem costuma pagar essa conta é o futebol sul-americano.
A CBF não se manifestou publicamente sobre o caso até agora. Historicamente, a entidade brasileira mantém boa relação de trabalho com a atual gestão da Fifa, e não há sinal de mudança de postura.
Por que essa história ecoa tanto
O futebol mundial ainda carrega a memória de 2015: operações da polícia americana, dirigentes presos, a queda de Blatter e nomes brasileiros no centro do escândalo. Desde então, qualquer acusação envolvendo a presidência da Fifa é lida por essa lente — justa ou injustamente.
A pergunta que interessa não é se Infantino resiste a esse episódio. Salvo fato novo, resiste. A pergunta é se a Fifa vai criar um mecanismo interno confiável para apurar esse tipo de alegação, em vez de resolver tudo por nota à imprensa britânica.
Enquanto isso, o calendário avança. Falta menos de um ano para a Copa, e a Seleção tem assuntos mais urgentes.
Perguntas frequentes
Reunimos abaixo as dúvidas mais comuns sobre o caso, com as respostas baseadas apenas no que foi confirmado até agora.
FAQ
Do que a Fifa está acusando seus críticos?
De um ‘esforço concertado e contínuo’ para minar a entidade e o presidente Gianni Infantino. A Fifa não citou publicamente nomes, veículos ou federações específicas.
O que diz a reportagem do Daily Telegraph?
O jornal afirma que uma mulher apontada como ex-companheira de Infantino teria recebido verba rescisória da Uefa, quando ele era secretário-geral da entidade. A informação é contestada.
Como Infantino respondeu?
Por meio de um porta-voz da Fifa, ele ‘nega veementemente’ as alegações e as classifica como ‘categoricamente falsas’. Nenhum processo formal foi anunciado até o momento.
Ele pode perder o cargo?
Não há indício disso. Nenhuma federação apresentou moção ou candidatura contra ele, e a Fifa segue operando normalmente.
A Copa de 2026 corre algum risco?
Não. O formato de 48 seleções, o calendário e os grupos — incluindo o Grupo C do Brasil — já estão definidos e não dependem dessa disputa política.
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