
Donald Trump saiu em defesa de Gianni Infantino. O presidente dos Estados Unidos afirmou que seria “um erro terrível” remover o dirigente da presidência da Fifa, num momento em que ele enfrenta a maior pressão desde que assumiu o cargo. Uefa, Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol divulgaram uma carta aberta acusando Infantino de quebrar a confiança “por meio de engano” com o projeto Fifa Forward Enterprise, já abortado. A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, disputada em parte em solo americano, a fala de Trump tem peso político evidente.
O que Trump disse sobre Infantino
O presidente dos Estados Unidos declarou que seria “um erro terrível” caso Gianni Infantino fosse afastado da presidência da Fifa. A manifestação veio logo depois de três das seis confederações continentais se voltarem publicamente contra o dirigente.
A proximidade entre os dois não é novidade. Em 2025, Trump recebeu das mãos de Infantino o Prêmio da Paz da Fifa, criado pela própria entidade. Esse histórico ajuda a entender por que o apoio presidencial pesa no atual jogo de forças.
Vale a ressalva: Trump não tem poder estatutário dentro da Fifa. Quem decide o futuro de um presidente da entidade são as federações nacionais e o Congresso da Fifa, não a Casa Branca.
A carta aberta de Uefa, Concacaf e AFC
Uefa, Concacaf e AFC publicaram uma carta aberta acusando Gianni Infantino de romper a confiança “por meio de engano”. A crítica é sobre o método de condução do projeto Fifa Forward Enterprise, não sobre questões esportivas.
O peso das signatárias é enorme. A Uefa reúne as principais ligas europeias, a Concacaf sedia boa parte da Copa de 2026 e a AFC representa um mercado comercial asiático gigantesco.
A Conmebol não aparece entre as signatárias da carta. Isso deixa a América do Sul — e, portanto, a CBF — fora do bloco que tomou a iniciativa da ofensiva pública contra Infantino.
O projeto FFE explicado
O Fifa Forward Enterprise previa a criação de uma nova empresa para administrar os direitos comerciais e de bilheteria de todas as competições da Fifa, incluindo as Copas do Mundo. Vinte e um por cento dessa empresa seriam vendidos a uma companhia de investimento privada.
Foi justamente esse percentual que acendeu o pavio. Entregar parte do controle das receitas comerciais do futebol mundial a um investidor privado altera de forma duradoura como o dinheiro é distribuído entre confederações e federações.
O plano acabou abandonado. Mas o recuo não encerrou a crise: a carta aberta questiona menos o conteúdo da proposta e mais a maneira como ela foi levada adiante.
O que isso significa para o Brasil e para a Seleção
A CBF é filiada à Conmebol, que não assinou a carta aberta. Na prática, o futebol brasileiro observa a disputa de fora do bloco que partiu para o confronto direto com Infantino.
O impacto financeiro, porém, é real. Repasses da Fifa, premiações de Copa do Mundo e as compensações pagas aos clubes que cedem atletas às seleções dependem diretamente da saúde econômica da entidade — e clubes como Flamengo, Palmeiras e Santos estão nessa conta.
Para os jogadores brasileiros que atuam na Europa, nada muda no curto prazo. Calendário de seleção, datas Fifa e a preparação para 2026 seguem inalterados enquanto a crise se desenrola nos bastidores.
Os próximos passos rumo à Copa de 2026
A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, com 48 seleções. Uma crise de governança na Fifa a poucos meses do torneio é o pior cenário possível de calendário para a entidade.
O apoio de Trump blinda o flanco político americano, mas não resolve nada com europeus e asiáticos. As próximas semanas mostrarão se as confederações param na carta aberta ou avançam para uma ação institucional.
Para o torcedor brasileiro, a mensagem é direta: a disputa é sobre dinheiro e poder dentro da Fifa. A Copa segue de pé, com data, sedes e formato definidos.
FAQ
O que exatamente Trump falou sobre Infantino?
O presidente dos Estados Unidos disse que seria ‘um erro terrível’ se Gianni Infantino fosse removido da presidência da Fifa, em meio à pressão sobre o dirigente.
Quais confederações assinaram a carta aberta contra Infantino?
Uefa, Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC). Elas acusam Infantino de quebrar a confiança ‘por meio de engano’ no caso do projeto Fifa Forward Enterprise.
O que era o projeto Fifa Forward Enterprise?
Uma proposta, já abandonada, de criar uma empresa para gerir direitos comerciais e de bilheteria de todas as competições da Fifa, com 21% vendidos a uma companhia de investimento privada.
A Conmebol assinou a carta?
Não. A carta aberta foi divulgada por Uefa, Concacaf e AFC. A Conmebol não está entre as signatárias.
A crise pode afetar a Copa do Mundo de 2026?
A realização do torneio não está em questão. A disputa envolve governança e o modelo comercial da Fifa, não o calendário nem a organização esportiva da Copa.
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