Infantino sob pressão: o mapa que mostra o mundo dividido na Fifa

FIFA president Gianni Infantino speaking during a press conference

Gianni Infantino perdeu a condição de candidato imbatível. Segundo reportagem da BBC Sport assinada por Laura Scott e Daniel Austin, quase todas as 210 federações filiadas à Fifa já haviam declarado apoio ao seu quarto mandato em meados de julho. Duas semanas depois, com a repercussão do plano agora abandonado de vender fatias da Copa do Mundo e de outras competições a investidores privados, esse bloco rachou. Para o Brasil, que disputa a Copa de 2026 e receberá o Mundial feminino de 2027, a crise não é assunto distante.

O que o mapa da BBC realmente mostra

O mapa publicado pela BBC Sport revela um dado objetivo: o apoio a Infantino deixou de ser uniforme. Onde havia adesão quase automática antes de julho, agora aparecem áreas de recuo, silêncio calculado e oposição declarada. Ele segue com respaldo amplo, mas a reeleição em março virou disputa política, não formalidade.

A explicação está no sistema de votação. Na Fifa, cada federação tem um voto, do Brasil a uma ilha do Pacífico. A maioria se constrói somando dezenas de federações pequenas, não agradando as cinco maiores ligas europeias. Foi assim que Infantino consolidou poder desde 2016, e é por isso que qualquer trinca nesse bloco pesa tanto.

Em resumo: ainda não é uma rebelião, é dúvida. E dúvida, na Fifa recente, já é novidade.

O estopim: vender fatias da Copa do Mundo

O gatilho da crise foi a proposta, hoje abandonada, de abrir o capital de competições da Fifa a investidores privados, incluindo a Copa do Mundo. A reação durou duas semanas e obrigou a entidade a recuar, conforme apurou a BBC.

O motivo da revolta é econômico. A receita da Copa sustenta o programa de repasses que financia dezenas de federações sem outra fonte relevante de dinheiro. Vender participação significa trocar caixa imediato por parte da receita futura. Para muitos dirigentes, isso soou menos como inovação financeira e mais como hipotecar o próprio orçamento por décadas.

Há ainda a questão do método. Vários dirigentes reclamaram da falta de consulta prévia. Numa organização em que o poder depende da confiança das federações, um projeto percebido como imposto de cima custa mais caro do que o projeto em si.

O Brasil no meio do jogo: CBF, Copa 2026 e Mundial feminino de 2027

A posição brasileira é delicada porque o país tem interesses concretos em jogo. A seleção comandada por Carlo Ancelotti disputa a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, e o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo feminina de 2027, decisão confirmada pela Fifa em 2024. Organizar um Mundial exige relação funcional com Zurique.

Ao mesmo tempo, a CBF e a Conmebol historicamente sustentaram a base de apoio de Infantino na América do Sul. Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, é um dos dirigentes mais próximos do presidente da Fifa. Uma ruptura sul-americana seria o cenário mais grave para Infantino, e também o menos provável.

O cálculo brasileiro, portanto, tende a ser pragmático: apoio, sim, mas com garantias sobre calendário, repasses e organização de 2027.

Por que o debate soa familiar para o torcedor brasileiro

O futebol brasileiro já viveu a discussão sobre dinheiro privado dentro do jogo. Desde a Lei da SAF, de 2021, clubes como Botafogo, Cruzeiro e Vasco venderam participação a investidores externos em troca de capital para quitar dívidas e reforçar elencos.

A experiência mostrou os dois lados. Injeção de capital resolve problemas imediatos e melhora estrutura, mas transfere poder de decisão e compromete receitas futuras. Quem controla a maior parte do capital passa a definir prioridades. É exatamente a preocupação que federações menores levantaram no caso da Fifa: quem manda depois que o investidor entra?

Por isso o plano da Fifa gerou desconfiança imediata entre dirigentes que já viram, na prática, o que acontece quando fundos compram parte de um ativo esportivo.

Cenários até março

Três caminhos estão abertos. O primeiro, ainda o mais provável, é a reeleição de Infantino com mandato enfraquecido e concessões às confederações mais críticas. O segundo é o surgimento de um candidato alternativo com base real de votos, o que exigiria alguém disposto a assumir um risco político enorme. O terceiro, a desistência, permanece hipotético.

O calendário complica tudo. A eleição ocorre poucos meses antes da Copa de 2026, a primeira com 48 seleções e o maior evento da história da entidade. Abrir uma crise institucional às vésperas disso não interessa nem aos críticos de Infantino.

O que o mapa da BBC mostra, no fundo, é que uma reeleição garantida virou negociação. E negociação, no futebol, sempre tem preço.

FAQ

Quando será a eleição para a presidência da Fifa?

A eleição está marcada para março, durante o Congresso da Fifa, no qual cada federação filiada tem direito a um voto. Gianni Infantino busca o quarto mandato.

Por que o plano de vender fatias da Copa do Mundo causou tanta reação?

Porque a receita da Copa financia os repasses da Fifa às federações. Vender participação a investidores privados trocaria dinheiro imediato por parte da receita futura, o que dirigentes consideraram um risco ao próprio financiamento. O plano foi abandonado.

Quantas federações votam na Fifa?

De acordo com a BBC Sport, a Fifa tem 210 membros e cada um vale um voto, independentemente do tamanho do país. A maioria se forma somando muitas federações pequenas.

Qual é a posição do Brasil nessa disputa?

O Brasil tem interesses diretos: disputa a Copa de 2026 e sediará o Mundial feminino de 2027. A CBF e a Conmebol historicamente integram a base de apoio de Infantino, o que torna o apoio provável, mas condicionado a garantias sobre calendário e repasses.

O futebol brasileiro já passou por algo parecido com venda de participação?

Sim. Desde a Lei da SAF, de 2021, vários clubes venderam parte do capital a investidores externos em troca de dinheiro imediato. A experiência mostrou ganhos de estrutura, mas também perda de controle e comprometimento de receitas futuras.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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