Terremoto na Fifa: Nova Zelândia abandona Infantino e presidente perde apoio de três confederações

Gianni Infantino, FIFA president, during a press conference

O cerco a Gianni Infantino apertou de novo. A Nova Zelândia rompeu com a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) e retirou o apoio ao presidente da Fifa, segundo apuração da BBC. Parece pouco, é uma federação pequena no mapa do futebol mundial. Só que no Congresso da Fifa vale o princípio de uma federação, um voto: o voto neozelandês pesa exatamente o mesmo que o do Brasil. E o movimento não é isolado. Três confederações inteiras já retiraram o apoio ao dirigente suíço: a Uefa, na Europa, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf, que reúne América do Norte, América Central e Caribe. O estopim foi o plano, depois abandonado, de vender 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. Do outro lado da trincheira, a Conmebol e a Confederação Africana de Futebol (Caf) seguem apoiando um quarto mandato.

O que a ruptura da Nova Zelândia significa na prática

A Nova Zelândia deixou de acompanhar a posição oficial da OFC e retirou o apoio à recandidatura de Infantino. Não é uma abstenção diplomática, é uma quebra de bloco. Até aqui a Oceania era lida como território seguro para o presidente, e é justamente essa leitura que acabou de trincar.

O impacto é político antes de ser numérico. Quando uma federação rompe publicamente com a linha da própria confederação, ela abre caminho para que outras façam o mesmo sem pagar o custo de serem as primeiras. É o efeito dominó que preocupa qualquer campanha eleitoral, dentro ou fora do futebol.

Vale lembrar que a decisão nasce de um episódio concreto: a tentativa de repassar um quinto dos direitos comerciais do Mundial a fundos privados. O plano foi engavetado, mas o desgaste ficou.

A conta dos 106 votos que define a eleição

Infantino precisa de 106 votos para conquistar o quarto mandato à frente da Fifa. É a maioria entre as 211 federações filiadas. Cada defecção vale um voto, não importa se vem de uma potência ou de uma ilha do Pacífico.

O apoio declarado da Caf é o ativo mais valioso do presidente: são 54 federações africanas, a maior base eleitoral individual da Fifa. A Conmebol soma outras 10, incluindo a CBF, e entrega ao suíço o respaldo político do continente pentacampeão mundial.

Do lado oposto, a soma nominal impressiona: Uefa com 55 federações, AFC com 47 e Concacaf com 41. Mas atenção, confederação não carimba voto. A eleição é secreta e cada federação decide sozinha na hora do clique. Posição oficial de confederação e comportamento eleitoral real nem sempre coincidem.

Por que a venda de 20% dos direitos da Copa incendiou tudo

A ideia era ceder 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. Para as confederações que se rebelaram, o argumento é direto: essa receita sustenta programas de desenvolvimento no mundo inteiro, e transferir um quinto dela para acionistas privados desvia dinheiro que deveria voltar ao futebol de base.

O projeto foi abandonado, mas o método também virou alvo de crítica. Vários dirigentes se queixaram de ter sido colocados diante de um plano pronto, sem discussão prévia suficiente. Em uma entidade cuja legitimidade depende do consentimento de 211 federações, esse tipo de queixa costuma custar mais caro que o mérito da proposta.

Não é a primeira vez que uma iniciativa da Fifa naufraga assim. A proposta de Copa do Mundo a cada dois anos seguiu o mesmo roteiro: lançamento, reação em bloco de Uefa e Conmebol, recuo. O padrão se repete e o capital político se esgota.

Onde o Brasil e a CBF entram nessa disputa

O Brasil está no campo da Conmebol, que declarou apoio ao quarto mandato de Infantino. A posição sul-americana contrasta frontalmente com a europeia e coloca a CBF do lado do atual comando da Fifa nesta queda de braço.

Esse alinhamento tem contexto. A Conmebol e a Fifa vêm estreitando a cooperação em torno da Copa do Mundo de 2030, cuja edição de centenário terá jogos de abertura na Argentina, no Paraguai e no Uruguai antes da sede principal na Espanha, em Portugal e no Marrocos. Manter boa relação com o Catelão da Fifa tem valor estratégico para o continente.

Para o torcedor brasileiro, o impacto imediato é zero em campo. A seleção segue seu calendário rumo à Copa de 2026 nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e craques como Vinícius Júnior, Rodrygo e Estêvão seguem disputando vaga na lista final. O que está em jogo aqui é quem manda no futebol mundial nos próximos anos, não o que acontece dentro das quatro linhas.

O que vem pela frente na eleição da Fifa

A reeleição tranquila deixou de ser cenário provável. Com três confederações fora da base de apoio e rupturas individuais como a neozelandesa, a disputa presidencial da Fifa voltou a ser uma eleição de verdade, com articulação, contagem de votos e pressão nos bastidores.

A variável decisiva é a disciplina partidária, por assim dizer. Federações que dependem financeiramente dos programas de desenvolvimento da Fifa historicamente tendem a apoiar quem está no comando, independentemente da orientação da confederação a que pertencem.

O sinal a acompanhar nas próximas semanas é claro: outras federações vão seguir o exemplo da Nova Zelândia e romper publicamente com a linha do próprio bloco? Se isso acontecer em escala, o equilíbrio do Congresso muda de figura.

Copa do Mundo 2026 segue firme, apesar da crise

Nada disso ameaça a realização do Mundial de 2026. O torneio está organizado, as sedes definidas nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e o formato ampliado para 48 seleções está confirmado. A crise é de governança, não de logística.

A eventual troca de comando na Fifa afetaria decisões futuras: distribuição de receitas, calendário internacional, formato de competições e o modelo do Mundial de Clubes ampliado. Ou seja, temas que interessam diretamente aos clubes brasileiros, que exportam jogadores e cedem atletas a cada janela de datas Fifa.

Por ora, o roteiro é jogar. A disputa política corre em paralelo, nos corredores, e o veredicto virá no voto das 211 federações.

FAQ

Por que a Nova Zelândia retirou o apoio a Gianni Infantino?

A Nova Zelândia rompeu com a posição oficial da Confederação de Futebol da Oceania (OFC) e retirou o apoio ao presidente da Fifa. A decisão se soma à onda de contestação provocada pelo plano, depois abandonado, de vender 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.

Quantos votos Infantino precisa para ser reeleito na Fifa?

São necessários 106 votos para garantir o quarto mandato, ou seja, a maioria entre as 211 federações filiadas à Fifa. Como vale o princípio de uma federação, um voto, a Nova Zelândia tem exatamente o mesmo peso eleitoral que o Brasil.

A CBF apoia Infantino?

O Brasil integra a Conmebol, que declarou apoio à recandidatura de Infantino ao lado da Confederação Africana de Futebol (Caf). A posição sul-americana se opõe à da Uefa, da AFC e da Concacaf, que retiraram o apoio ao presidente.

O que era o plano de vender 20% dos direitos comerciais da Copa?

Era a proposta de ceder um quinto dos direitos comerciais do Mundial a investidores privados. O plano foi abandonado após forte oposição de várias confederações, que argumentam que essa receita deve continuar integralmente destinada ao desenvolvimento do futebol.

A crise na Fifa pode atrapalhar a Copa do Mundo de 2026?

Não. A Copa de 2026 segue confirmada nos Estados Unidos, no Canadá e no México, com 48 seleções. A disputa atual envolve a governança e a eleição presidencial da Fifa, sem efeito sobre a organização do torneio.

🏆 Análise IA Copa do Mundo 2026

O Mysports AI usa modelos de dados avançados para fornecer as melhores odds, análise de zebras e dicas de apostas.

Obter palpites

By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Palpites IA Copa do Mundo 2026