Presidente da federação galesa pede a saída de Infantino da Fifa antes da Copa de 2026

FIFA president Gianni Infantino speaking at a press conference

Gianni Infantino enfrenta a pressão mais dura desde que assumiu a Fifa, em 2016. Noel Mooney, diretor-executivo da Federação Galesa de Futebol (FAW), disse publicamente que o suíço deveria deixar o cargo por causa do “dano causado ao futebol”. O peso da fala vem também de quem a fez: Mooney trabalhou ao lado de Infantino na Uefa. A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, a governança da entidade volta ao centro do debate — e isso interessa diretamente ao Brasil.

O que disse o dirigente galês

Noel Mooney defende que Gianni Infantino deixe a presidência da Fifa. “Se eu estivesse sentado com o Gianni agora, diria a ele que teve uma carreira muito boa”, afirmou. “Como secretário-geral da Uefa, ele fez coisas muito boas.” A mensagem combina reconhecimento e ponto final.

O argumento central é o “dano causado ao futebol”. Mooney faz questão de dizer que essa avaliação vale mesmo com o plano polêmico já arquivado — ou seja, para ele, ter cogitado a operação já basta para abrir uma crise de confiança.

A origem do crítico importa. Mooney não é um observador de fora: foi executivo da Uefa antes de assumir a federação galesa. Quando alguém de dentro do sistema europeu pede uma renúncia em público, o recado ultrapassa o desabafo isolado.

A venda de fatias da Copa do Mundo, o estopim da crise

O caso que desencadeou a reação foi a tentativa da Fifa de vender participações na Copa do Mundo e em outras competições a investidores privados. O plano foi descartado, mas serviu para concentrar críticas que já se acumulavam sobre a gestão da entidade.

Para os críticos, abrir o capital de um torneio que pertence simbolicamente às 211 federações filiadas significa transformar patrimônio esportivo coletivo em ativo financeiro. É exatamente essa linha que Mooney considera ultrapassada.

Arquivar o projeto não encerrou a discussão — apenas mudou a pergunta. Ela deixou de ser “vender ou não vender?” e passou a ser “quem decide, e com qual controle?”.

Uma década de Infantino no comando

Gianni Infantino preside a Fifa desde 2016, quando assumiu após a crise que derrubou a gestão anterior. Seu mandato ficou marcado pela ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções, formato que estreia justamente em 2026, nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Antes da Fifa, foi secretário-geral da Uefa — período elogiado até por quem hoje pede sua saída, como o próprio Mooney, que faz questão de separar as duas fases.

Esse contraste resume o momento: a contestação não é sobre o produto esportivo, e sim sobre método, transparência e a direção financeira escolhida pela entidade.

O que isso significa para o Brasil e para os clubes brasileiros

Para o futebol brasileiro, o tema é prático, não apenas político. A CBF depende do calendário internacional definido pela Fifa, e os clubes do Brasileirão convivem com as datas Fifa, com a liberação de atletas para a seleção e com a discussão sobre compensações financeiras por cessão de jogadores.

Há ainda o efeito sobre o Mundial de Clubes e sobre o valor comercial das competições da Fifa — pauta sensível para clubes como Flamengo, Palmeiras e Fluminense, que enxergam nesses torneios uma fonte relevante de receita e visibilidade internacional.

E há o lado da seleção. O Brasil chega a 2026 buscando o hexa, e qualquer instabilidade na cúpula da Fifa às vésperas do torneio afeta o ambiente em que dirigentes negociam desde logística até direitos de transmissão.

Quais são os próximos cenários

Por enquanto, o pedido de Noel Mooney representa a posição de uma federação, a do País de Gales. Não há indicação de que tenha se transformado em movimento coletivo das federações europeias, nem de que exista processo formal em andamento.

O calendário também pesa. Às vésperas de uma Copa, as entidades costumam evitar crises institucionais abertas, o que pode empurrar a discussão para depois de julho de 2026.

O ponto a acompanhar é objetivo: a Fifa vai oferecer garantias claras sobre a propriedade e o controle de suas competições? A resposta a essa pergunta vale mais do que qualquer declaração.

FAQ

Quem é Noel Mooney?

É o diretor-executivo da Federação Galesa de Futebol (FAW). Antes disso, trabalhou na Uefa, onde atuou ao lado de Gianni Infantino no período em que o suíço era secretário-geral da entidade europeia.

Por que ele pede a saída de Infantino?

Ele cita o ‘dano causado ao futebol’, especialmente após a tentativa da Fifa de vender participações na Copa do Mundo e em outras competições a investidores privados. Para ele, cancelar o plano não resolve o problema.

A venda de fatias da Copa do Mundo chegou a acontecer?

Não. O plano foi descartado. Esse é justamente o argumento de Mooney: mesmo arquivado, o projeto já teria abalado a confiança no comando da Fifa.

Desde quando Gianni Infantino comanda a Fifa?

Desde 2016. Antes disso, ocupava o cargo de secretário-geral da Uefa.

Isso pode afetar a Copa do Mundo de 2026?

Não há sinal de que a realização do torneio esteja em risco. A discussão envolve a governança e a estratégia comercial da Fifa, e não a organização da Copa nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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