
Aleksander Ceferin não poupou palavras. O presidente da UEFA afirmou que Gianni Infantino, mandatário da Fifa, precisa lembrar que é europeu, depois de classificar o plano do dirigente de vender uma fatia da Copa do Mundo como “pior do que a Superliga”. Os dois já trabalharam juntos na UEFA. Agora estão em campos opostos, e a briga chegou perto de tirar seleções inteiras do Mundial.
O que Ceferin disse sobre Infantino
Para Ceferin, a proposta de vender parte da Copa do Mundo a investidores privados foi mais grave do que a tentativa de criação da Superliga Europeia, em 2021. É a crítica mais dura já feita por um presidente da UEFA a um presidente da Fifa.
A frase sobre “lembrar que é europeu” tem endereço certo: Infantino foi secretário-geral da UEFA antes de assumir a Fifa, em 2016. O recado é político e mira a origem do próprio dirigente.
O plano: 21% dos direitos comerciais à venda
A Fifa pretendia criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que administraria os direitos comerciais e a bilheteria de todas as competições da entidade. Uma fatia de 21% seria vendida a uma empresa de investimento privada.
Na prática, isso significaria entregar parte do controle econômico da Copa do Mundo a acionistas de fora do futebol. Bilheteria e direitos comerciais são justamente o coração financeiro do torneio.
A ameaça de boicote que derrubou a proposta
A UEFA liderou a oposição e seus membros votaram por boicotar Copas do Mundo caso o plano não fosse cancelado. No início deste mês, a Fifa recuou e abandonou a proposta.
Um Mundial sem as seleções europeias seria inviável comercial e esportivamente. A ameaça atingia diretamente o valor daquilo que a Fifa queria vender.
O que isso significa para o Brasil e a Seleção
A CBF é filiada à Conmebol, não à UEFA, e por isso não participou da votação europeia. Mas o resultado afeta todo mundo: os direitos comerciais em disputa eram os de todas as competições da Fifa, incluindo a Copa que o Brasil disputará em 2026.
Para o torcedor brasileiro, o ponto mais sensível é a bilheteria. Qualquer mudança no modelo de venda de ingressos do Mundial passaria pela empresa que a Fifa queria criar, com um sócio privado dentro.
E agora?
O projeto morreu, mas a relação entre Fifa e UEFA ficou rachada às vésperas da Copa de 2026, a primeira com 48 seleções. As duas entidades terão de conviver na maior edição da história do torneio.
A dúvida que fica: a Fifa volta com uma versão mais suave da ideia? Ceferin já deixou claro onde está a linha vermelha.
FAQ
O que Ceferin falou sobre Infantino?
O presidente da UEFA disse que Infantino precisa lembrar que é europeu e classificou o plano de vender uma fatia da Copa do Mundo como pior do que a Superliga.
O que era a Fifa Forward Enterprise?
Uma empresa que gerenciaria os direitos comerciais e a bilheteria de todas as competições da Fifa, com 21% do capital destinado à venda para uma empresa de investimento privada.
Por que a UEFA foi contra?
A UEFA liderou a oposição por entender que o plano entregava o controle econômico do futebol a investidores privados. Seus membros votaram por boicotar Copas do Mundo enquanto a proposta estivesse de pé.
A proposta foi cancelada?
Sim. A Fifa abandonou o plano no início deste mês, diante da pressão liderada pela UEFA.
O Brasil seria afetado por essa mudança?
Sim, de forma indireta. Os direitos comerciais e a bilheteria em discussão eram os de todas as competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo de 2026, que a Seleção vai disputar.
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