Guerra declarada no futebol mundial: FIFA acusa UEFA de “campanha de difamação” contra Infantino

Gianni Infantino, presidente da FIFA, em coletiva de imprensa durante a disputa com a UEFA

O futebol mundial não via uma briga dessas desde a queda de Joseph Blatter. A FIFA acusou a UEFA, com todas as letras, de conduzir uma “campanha de difamação contra a entidade e sua liderança”. O alvo é Gianni Infantino, presidente desde 2016. O motivo é o plano, hoje abandonado, de vender participações na Copa do Mundo a investidores privados. A crise explodiu na semana passada. Segundo a BBC Sport, a UEFA protocolou documentos na Justiça dos Estados Unidos para obter provas e papéis internos da FIFA. A finalidade declarada é embasar possíveis queixas criminais na Suíça, sede da FIFA. E a entidade europeia não economizou nas palavras: falou em “gestão criminosa” e em “um preço fraudulentamente fora do mercado”. Duas instituições trocando tiros por meio de advogados, dois meses depois do fim da Copa de 2026? Para a CBF, para os brasileiros que jogam na Europa e para a Seleção, esse duelo está longe de ser um problema só dos europeus.

O que a FIFA acusa a UEFA de fazer

A FIFA afirma que a UEFA está promovendo uma “campanha de difamação” contra a entidade e seus dirigentes, com Gianni Infantino na linha de frente. Essa foi a resposta oficial de Zurique à ofensiva judicial europeia, revelada pela BBC Sport em 3 de setembro de 2026, direto de Nova York.

O tom é inédito. Normalmente, FIFA e UEFA resolvem suas diferenças nos bastidores, entre uma reunião de Conselho e um jantar de gala. Desta vez, a FIFA escolheu o ataque público e frontal. Sinal de nervosismo? É difícil interpretar de outra forma uma comunicação tão agressiva.

Vale lembrar a ironia: antes de comandar a FIFA, Infantino foi secretário-geral da UEFA entre 2009 e 2016. Foi a Europa que o levou ao poder. É a Europa que agora quer abrir os arquivos dele.

“Gestão criminosa”: a ofensiva judicial da UEFA nos Estados Unidos

A UEFA recorreu à Justiça americana na semana passada para obter provas e documentos em posse da FIFA, visando possíveis processos criminais na Suíça. Esse é o núcleo da escalada descrita pelos jornalistas Dan Roan e Michael Race, da BBC.

Por que os Estados Unidos? Porque a legislação americana permite que uma parte estrangeira peça a um tribunal federal a entrega de provas para uso em processos no exterior. A FIFA, além disso, ampliou sua presença nos EUA nos últimos anos, o que torna o caminho ainda mais lógico.

Nos documentos, a UEFA acusa Infantino de “gestão criminosa” e cita “um preço fraudulentamente fora do mercado”. No direito suíço, esses termos remetem a crimes específicos. Por enquanto, nenhuma queixa criminal foi formalmente confirmada: trata-se de reclamações “potenciais”, segundo a BBC.

O plano abandonado de vender fatias da Copa do Mundo

Tudo começa com um projeto encabeçado por Gianni Infantino: vender participações na Copa do Mundo a investidores privados. O plano foi descartado, mas é exatamente ele que a UEFA mira ao falar em preço “fora do mercado”.

Na prática, a ideia seria abrir o capital do torneio mais lucrativo do planeta a dinheiro externo. A UEFA sustenta, em seus documentos judiciais, que a avaliação proposta ficava muito abaixo do valor real. De forma fraudulenta, insiste a entidade.

Os detalhes da operação, os valores e a identidade dos investidores não foram confirmados oficialmente. Alguns veículos citam fundos do Golfo ou de private equity, mas nada disso foi validado pela FIFA. Cautela, portanto.

Por que o Brasil e os brasileiros na Europa entram nessa história

A CBF é filiada à CONMEBOL, não à UEFA, mas o Brasil depende diretamente da relação entre as duas maiores potências do futebol mundial. O calendário da Seleção, as datas FIFA e a liberação dos jogadores pelos clubes europeus passam por essa mesa.

Pense nos brasileiros que atuam na Europa: Vinícius Júnior, Rodrygo, Raphinha, Bruno Guimarães. Todos vivem entre as competições da UEFA e os compromissos da FIFA com a Seleção. Uma guerra aberta entre Nyon e Zurique é receita para calendário caótico e mais brigas por liberações.

Há ainda o Mundial de Clubes, criação de Infantino e alvo de críticas da UEFA e das ligas europeias. O Brasil foi protagonista na edição de 2025: o Botafogo bateu o PSG na fase de grupos e o Fluminense chegou à semifinal. Se a FIFA sair enfraquecida, o futuro desse torneio, tão valioso para os clubes brasileiros, fica em aberto.

E agora? Os cenários possíveis para Infantino

Três caminhos se abrem: um acordo discreto entre as confederações, uma decisão da Justiça americana sobre a entrega dos documentos, ou a abertura de um processo criminal na Suíça. Cada um deles redesenha o futuro de Gianni Infantino, cujo mandato vai até 2027.

O calendário é explosivo. A próxima eleição presidencial da FIFA se aproxima, e a Copa de 2030, dividida entre Espanha, Portugal e Marrocos, ainda precisa ser comercializada. Uma entidade juridicamente fragilizada negocia pior com emissoras e patrocinadores.

Nossa leitura? A UEFA jamais abriria uma ação desse tamanho sem um dossiê sólido, ou pelo menos sem a convicção de tê-lo. Por outro lado, a FIFA não gritaria “complô” se não se sentisse realmente ameaçada. O futebol europeu prende a respiração. O Brasil, com tanta gente por lá, também.

FAQ

Por que a FIFA acusa a UEFA de campanha de difamação?

A FIFA responde a uma ação aberta pela UEFA nos Estados Unidos, que busca documentos internos para embasar possíveis queixas criminais na Suíça. Zurique entende que a UEFA quer manchar a imagem de Gianni Infantino e da entidade.

O que a UEFA acusa Gianni Infantino de ter feito?

Nos documentos judiciais, a UEFA fala em “gestão criminosa” e em “um preço fraudulentamente fora do mercado”, em referência ao plano abandonado de vender fatias da Copa do Mundo a investidores privados.

O plano de vender fatias da Copa do Mundo ainda existe?

Não. O projeto foi abandonado, mas é justamente a forma como ele foi estruturado e avaliado que a UEFA contesta agora.

Por que a UEFA recorreu à Justiça dos Estados Unidos?

A legislação americana permite que uma parte estrangeira peça a um tribunal federal a entrega de provas para uso em processos no exterior, neste caso na Suíça, onde fica a sede da FIFA.

O que muda para o Brasil e para a Seleção?

Uma ruptura entre FIFA e UEFA ameaça o calendário internacional, a liberação de jogadores brasileiros que atuam na Europa e o futuro do Mundial de Clubes, competição importante para os clubes do Brasil.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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