“Nunca falei com o Friedkin”: Moyes expõe o dono ausente do Everton

Everton manager David Moyes during a press conference

David Moyes nunca apertou a mão de Dan Friedkin. Nunca trocou uma ligação. O treinador do Everton revelou isso a jornalistas antes do jogo contra o Manchester United, mesmo estando no cargo desde janeiro de 2025. O dono americano comanda o clube a partir de Houston, no Texas, e não aparece em um jogo em casa desde que concluiu a compra, em dezembro de 2024. Para o torcedor brasileiro, que acompanha a onda de investidores estrangeiros nas SAFs, a cena é familiar demais.

O que Moyes disse, exatamente

Moyes confirmou que nunca encontrou nem conversou com Dan Friedkin desde o retorno ao comando do Everton, em janeiro de 2025. Ainda assim, reforçou o compromisso com o clube, depois de uma janela de transferências de verão europeu marcada pelo caos na reta final. A pergunta dos repórteres não era sobre briga: era sobre quem, afinal, manda no Everton.

O detalhe pesa. Um técnico da Premier League que nunca trocou uma palavra com o proprietário é o retrato de uma cadeia de decisão sem rosto. Moyes não acusou ninguém — apenas descreveu o que vive.

The Friedkin Group: Everton, Roma e o comando a 8 mil quilômetros

O The Friedkin Group, liderado por Dan Friedkin, tem sede em Houston e também é dono da Roma, da Serie A. A aquisição do Everton foi concluída em dezembro de 2024. Desde então, segundo a BBC, Friedkin não assistiu a nenhuma partida do clube como mandante.

Ter mais de um clube não é irregular — é o modelo de multipropriedade (multi-club ownership) que se espalhou pela Europa. Mas ele cria um problema de atenção: quantas horas por semana sobram para um clube inglês quando o mesmo grupo administra outro na Itália, a partir de um terceiro continente?

O paralelo brasileiro: SAFs e investidores que somem

O Brasil viveu essa história em versão acelerada. Desde a Lei da SAF, clubes tradicionais passaram a receber capital estrangeiro, e a torcida aprendeu a diferenciar dois tipos de investidor: o que estrutura uma diretoria local competente e o que aparece na foto da assinatura e desaparece depois. O caso do Vasco com a 777 Partners virou o exemplo mais citado de como a distância vira ausência.

Do outro lado, existem modelos que funcionam justamente porque a operação local tem autonomia. O ponto não é a nacionalidade do dono nem o fuso horário — é se existe alguém com mandato para decidir em campo e em mesa de negociação. É exatamente esse elo que Moyes descreve como inexistente no Everton.

Everton e os brasileiros: uma relação antiga

O Everton foi uma porta de entrada relevante para brasileiros na Premier League. Richarlison se firmou como estrela em Goodison Park antes de se transferir para o Tottenham, e Bernard e Allan também vestiram a camisa azul do clube de Liverpool. Para o público brasileiro, o Everton não é um time qualquer da tabela: é um clube com memória afetiva recente.

Há ainda uma curiosidade que sempre volta: Everton é um dos nomes próprios mais comuns entre jogadores brasileiros — de Éverton Ribeiro a Everton Cebolinha. A coincidência ajuda a explicar por que o clube inglês tem, no Brasil, uma familiaridade que o tamanho atual do elenco não justificaria sozinho.

O que está em jogo para Moyes

Moyes comandou o Everton entre 2002 e 2013 antes de voltar, e conhece a casa por dentro. Reafirmar compromisso às vésperas de enfrentar o Manchester United — clube que ele próprio treinou em 2013-14 — é uma mensagem dupla: para o vestiário e para a diretoria.

Acesso ao dono não é vaidade de treinador. É o que define se um projeto esportivo sobrevive a três derrotas seguidas ou se desmonta na primeira crise. Enquanto esse canal seguir fechado, cada sequência ruim do Everton será lida como ameaça, não como fase.

FAQ

Moyes realmente nunca falou com o dono do Everton?

Sim. Em entrevista coletiva antes do jogo contra o Manchester United, David Moyes afirmou que nunca encontrou nem conversou com Dan Friedkin desde que retornou como treinador, em janeiro de 2025.

Quem é Dan Friedkin?

É um empresário americano à frente do The Friedkin Group, com sede em Houston, no Texas. O grupo concluiu a compra do Everton em dezembro de 2024 e também é proprietário da Roma, da Serie A italiana.

Por que isso interessa ao torcedor brasileiro?

Porque o debate sobre donos estrangeiros e ausentes é o mesmo que o Brasil vive desde a criação das SAFs. O caso do Everton mostra que o risco não está na origem do investidor, e sim na falta de uma estrutura local com poder real de decisão.

Quais brasileiros já jogaram no Everton?

Richarlison, Bernard e Allan estão entre os brasileiros mais conhecidos a defender o clube na Premier League em anos recentes.

Moyes pode deixar o Everton?

Ele não sinalizou saída. Apesar do fim conturbado da janela de transferências, Moyes reafirmou publicamente seu compromisso com o clube.

🏆 Análise IA Copa do Mundo 2026

O Mysports AI usa modelos de dados avançados para fornecer as melhores odds, análise de zebras e dicas de apostas.

Obter palpites

By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Palpites IA Copa do Mundo 2026