
A Federação Francesa de Futebol (FFF) retirou nesta quinta-feira o apoio à presidência de Gianni Infantino e propôs buscar caminhos para transformar o modo como a Fifa é administrada. A França se junta a Inglaterra, Itália, República da Irlanda e Escócia, todas contrárias ao plano — já abortado — de vender participações nas competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados. O detalhe que chama atenção: a FFF havia declarado apoio a Infantino em junho, antes de o plano de investimento vir a público.
O que motivou a ruptura com Infantino
A FFF retirou o apoio a Infantino por causa do plano de vender fatias das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados. A proposta acabou abortada, mas as federações europeias reclamam do processo: uma decisão desse porte, envolvendo o principal patrimônio esportivo do planeta, foi conduzida sem consulta às associações nacionais.
Mais do que barrar um projeto específico, os dirigentes franceses propõem discutir como a Fifa é governada. A diferença é relevante: trata-se de rediscutir a divisão de poder entre a presidência, o Conselho e as 211 federações filiadas, e não apenas de reprovar uma iniciativa pontual.
A cronologia expõe o desconforto. Em junho, a FFF declarou apoio público a Infantino. Depois veio a revelação do plano de investimento, o recuo da Fifa e, agora, a retirada do apoio francês. A sequência alimenta a dúvida sobre o quanto as federações realmente sabiam quando manifestaram confiança.
Cinco federações formam um bloco europeu
A França é a quinta federação a retirar apoio a Infantino, depois de Inglaterra, Itália, República da Irlanda e Escócia. O que eram manifestações isoladas virou um bloco europeu com peso político real dentro da Uefa e do Conselho da Fifa.
O peso esportivo desse grupo importa tanto quanto o número. Inglaterra, Itália e França concentram algumas das ligas mais ricas do mundo, são grandes exportadoras e importadoras de jogadores e respondem por parte relevante da audiência global da Copa. A discordância pública desgasta a legitimidade europeia de Infantino.
Ainda assim, a Fifa é decidida por 211 federações, das quais apenas 55 estão na Europa. Um bloco europeu unido pressiona, mas não derruba nada sozinho em um congresso. É justamente por isso que a proposta francesa fala em mudar as regras, e não apenas em votar contra.
O que isso significa para o Brasil e a Copa de 2026
Não há impacto esportivo direto sobre a Copa do Mundo de 2026. O calendário, o formato com 48 seleções e a participação da Seleção Brasileira seguem inalterados: a disputa é institucional, sobre governança e dinheiro, não sobre o campo.
Para o futebol brasileiro, o ponto sensível é o modelo de receitas. Qualquer mudança na forma como a Fifa comercializa suas competições afeta a distribuição de recursos para as confederações e o valor de mercado das datas Fifa, tema caro à CBF e aos clubes que liberam jogadores para a Seleção.
Há ainda a questão do desgaste dos atletas. A expansão das competições da Fifa e a eventual entrada de capital privado empurram o calendário para mais jogos — algo que atinge diretamente os brasileiros que atuam na Europa e que chegam às convocações no fim de temporadas longas.
O que observar nas próximas semanas
O primeiro sinal concreto será a resposta oficial da Fifa e a postura da Uefa, que até aqui não adotou posição tão dura quanto as cinco federações filiadas que se manifestaram. Um posicionamento da entidade europeia mudaria a escala do conflito.
O segundo ponto é saber se outras federações, dentro e fora da Europa, aderem ao movimento. É o número de adesões, mais do que o nome de cada federação, que define se o tema da governança entra formalmente na pauta de um congresso da Fifa.
Por fim, o mandato de Infantino segue sem ameaça formal. Retirar apoio não é o mesmo que pedir renúncia, e nenhum processo nesse sentido foi aberto. A proposta francesa, por ora, mira a mudança das regras, não a queda do dirigente.
FAQ
Por que a França retirou o apoio a Gianni Infantino?
Por causa do plano, já abortado, de vender participações nas competições da Fifa — incluindo a Copa do Mundo — a investidores privados. A FFF critica tanto o conteúdo da proposta quanto a falta de consulta às federações.
Quais federações já retiraram apoio a Infantino?
Inglaterra, Itália, República da Irlanda e Escócia retiraram o apoio antes da França. A federação francesa é a quinta a tomar essa decisão.
A França não apoiava Infantino antes?
Apoiava. A FFF declarou apoio a Infantino em junho, antes de o plano de investimento se tornar público. A retirada veio depois da revelação e do recuo do projeto.
Infantino pode perder a presidência da Fifa?
Não há indicação disso no momento. Nenhum processo de destituição foi aberto, e a Fifa reúne 211 federações, sendo apenas 55 europeias. A retirada de apoio é um recado político, não uma punição.
A Copa do Mundo de 2026 corre risco?
Não. O torneio, o calendário e o formato de 48 seleções não estão em discussão. A disputa envolve a governança e o financiamento da Fifa, não a realização do Mundial.
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