
Joshua Kushner disse que se arrepende de ter entrado no plano da FIFA para vender fatias da Copa do Mundo. Fundador da Thrive Capital e cotado como investidor principal do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), encabeçado pelo presidente Gianni Infantino, ele deu suas primeiras declarações públicas desde que o plano foi engavetado. À BBC, em reportagem do editor de esportes Dan Roan publicada em 31 de agosto de 2026, Kushner afirmou: “Se soubéssemos no que isso iria se transformar, não teríamos nos envolvido.” Ele também admitiu que “não soube avaliar as dinâmicas políticas do futebol mundial”. O projeto virou uma crise de grandes proporções para a entidade a menos de um ano do torneio.
O que Kushner disse — e o que ele não disse
Kushner se arrependeu da participação, não da ideia. As duas frases centrais da entrevista são claras: ele não teria entrado se soubesse a dimensão da reação, e reconhece ter falhado em avaliar a política do futebol mundial. Ao mesmo tempo, ele segue defendendo o mérito da proposta. A distinção importa porque indica que o modelo pode voltar à mesa em outro formato, ainda que nada oficial tenha sido anunciado nesse sentido.
Kushner fundou a Thrive Capital em 2009 e é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Como a Copa de 2026 será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, essa proximidade política amplificou a leitura de que o negócio misturava dinheiro privado, poder político e patrimônio esportivo.
FIFA Forward Enterprise: o plano que a entidade engavetou
O FFE previa vender participações na Copa do Mundo, ou seja, abrir a investidores privados uma parte das receitas futuras do evento mais lucrativo do futebol. Para uma entidade que trata o Mundial como patrimônio de suas 211 federações filiadas, a proposta foi lida como mudança de natureza do torneio, não como uma engenharia financeira qualquer.
A reação foi forte o bastante para derrubar o plano antes de qualquer aprovação. Foi exatamente esse ponto — a força da rejeição política dentro do futebol — que Kushner aponta agora como o fator que não previu.
Por que o tema mexe diretamente com o Brasil
O futebol brasileiro conhece de perto o debate sobre vender receita futura. A chegada das SAFs, a venda de fatias de clubes históricos a fundos e investidores, e as discussões sobre a comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro criaram um repertório nacional sobre os riscos e os benefícios de antecipar receita em troca de controle.
Por isso, a leitura brasileira do caso FFE tende a ser menos ingênua e mais técnica: a pergunta que dirigentes e torcedores fazem não é se capital privado pode entrar no futebol, e sim quem manda depois que ele entra. Aplicada à Copa do Mundo, essa pergunta atinge diretamente a fatia de receita que chega às federações, incluindo a CBF.
O que muda para a Seleção e para a Copa de 2026
Nada muda no campo. O formato de 48 seleções, o calendário e a distribuição de premiação permanecem como estavam; o arquivamento do plano não altera nenhuma regra esportiva do torneio nos Estados Unidos, Canadá e México.
O impacto é de governança. A FIFA chega à sua maior edição com um debate aberto sobre quem é o dono econômico da Copa do Mundo, e com a demonstração de que as federações têm poder de bloquear uma iniciativa vinda da presidência. Para o ciclo seguinte, a questão de fundo continua sem resposta: como financiar a expansão do torneio sem abrir o capital.
O que acompanhar nas próximas semanas
Três sinais valem atenção. Um posicionamento oficial da FIFA sobre o futuro do financiamento do torneio; a reação das confederações, especialmente UEFA e Conmebol, cujo peso político supera o de federações isoladas; e qualquer retorno do projeto sob nova roupagem, algo comum após a retirada de propostas impopulares.
Até o momento não há confirmação oficial de retomada do plano em qualquer formato. As declarações de Kushner sugerem, ao contrário, que ele não pretende voltar ao assunto nas mesmas condições.
FAQ
Quem é Joshua Kushner?
É um investidor de venture capital americano, fundador da Thrive Capital em 2009, e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele seria o investidor principal do plano FIFA Forward Enterprise.
O que era o plano FIFA Forward Enterprise?
Era uma proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, para vender participações na Copa do Mundo a investidores privados. O plano foi engavetado depois de provocar uma crise dentro da entidade.
Por que o plano foi cancelado?
Pela intensidade da reação negativa no mundo do futebol. O próprio Kushner disse que não soube avaliar as dinâmicas políticas do futebol mundial, o que tornou o projeto insustentável.
Kushner desistiu da ideia?
Ele se arrependeu do envolvimento e admitiu ter subestimado o contexto político, mas continua defendendo o mérito da proposta.
Isso afeta a Copa do Mundo de 2026?
Não no aspecto esportivo. O formato com 48 seleções, o calendário e a organização nos Estados Unidos, Canadá e México seguem inalterados. O efeito é institucional, sobre a governança financeira da FIFA.
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