
“Dei tudo o que tinha, não me resta mais nada.” Com essa frase, Lionel Messi anunciou nesta segunda-feira sua aposentadoria da seleção argentina — como maior artilheiro e jogador com mais partidas da história do país. Foram dez anos de domínio: o título mundial de 2022, as Copas América de 2021 e 2024 e uma despedida na Copa de 2026 com oito gols e quatro assistências. O detalhe que o torcedor brasileiro talvez tenha esquecido: essa década quase não existiu.
26 de junho de 2016: o dia em que Messi já tinha desistido
No MetLife Stadium, em Nova Jersey, dois dias depois de completar 29 anos, Messi perdeu o pênalti na final da Copa América Centenário contra o Chile e anunciou logo em seguida que estava fora da seleção. Era a terceira final perdida em três anos: Copa do Mundo de 2014 contra a Alemanha, Copa América 2015 e Copa América 2016, as duas últimas para os chilenos.
Ele voltou atrás meses depois — e é dessa reviravolta que nasce todo o resto. Sem o retorno, a Argentina provavelmente não se classifica para 2018 em Quito, não levanta a taça no Maracanã em 2021 e não vence a Copa do Mundo no Catar. Uma década inteira de história dependeu de uma decisão pessoal tomada num vestiário nos Estados Unidos.
Maracanã 2021: o título que virou a chave contra o Brasil
A virada da carreira internacional de Messi aconteceu dentro de casa para o torcedor brasileiro. Em julho de 2021, a Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 no Maracanã, gol de Ángel Di María, e Messi conquistou seu primeiro título de seleção principal aos 34 anos. A imagem de Neymar abraçando o amigo no fim da partida rodou o mundo e resumiu o que aquele jogo significou para os dois lados.
Aquele título destravou tudo. A Argentina emendou a Finalíssima contra a Itália, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024 — nesta última, curiosamente, Messi saiu chorando de lesão antes de Lautaro Martínez decidir a final contra a Colômbia. Para o Brasil, a sequência foi o retrato de um ciclo em que o rival histórico resolveu suas pendências e a seleção brasileira não.
O contraste com a geração brasileira
Messi se despede com títulos que Neymar, seu maior parceiro no Barcelona, não conquistou com a seleção brasileira. É um contraste que vai marcar a leitura histórica das duas carreiras, mesmo que o talento individual nunca tenha sido o problema em nenhum dos casos. O que a Argentina construiu de 2019 em diante — um grupo estável, com função clara para cada peça em volta do camisa 10 — foi exatamente o que faltou do outro lado da fronteira.
Para o Brasil, a aposentadoria de Messi abre uma janela óbvia. Sem ele, a Argentina perde o jogador que definia o último terço em praticamente todos os jogos grandes da última década. Nomes como Vinícius Júnior e Estêvão passam a disputar o posto de melhor jogador do continente sem o parâmetro que dominou a conversa desde 2005.
O que fica depois de 2026
Os números estão congelados: maior artilheiro e maior número de jogos pela Argentina, além dos oito gols e quatro assistências na Copa de 2026. A seleção argentina agora precisa reconstruir seu ataque em torno de Julián Álvarez, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister, sem o jogador que resolvia partidas sozinho.
Mas o que sobrevive não é a estatística. É o roteiro: um jogador que anunciou a aposentadoria da seleção aos 29 anos, voltou, e depois ganhou tudo o que faltava. Poucas histórias no futebol tiveram uma virada tão completa.
FAQ
Quando Messi anunciou a aposentadoria da seleção?
Nesta segunda-feira, após a Copa do Mundo de 2026, deixando a Argentina como maior artilheiro e jogador com mais partidas da história do país.
Por que ele já tinha anunciado a aposentadoria em 2016?
Em 26 de junho de 2016, no MetLife Stadium, perdeu o pênalti na final da Copa América Centenário contra o Chile — a terceira final perdida em três anos — e anunciou a saída logo depois. Voltou atrás meses mais tarde.
Quais títulos ele conquistou pela Argentina?
A Copa do Mundo de 2022, as Copas América de 2021 e 2024, além da Finalíssima de 2022 contra a Itália.
Como foi a campanha dele na Copa de 2026?
Messi marcou oito gols e deu quatro assistências no torneio, um dos melhores rendimentos de sua trajetória em Copas do Mundo.
O que muda para o Brasil sem Messi?
A Argentina perde o jogador que decidia os clássicos no último terço, e a disputa pelo posto de melhor jogador da América do Sul se abre para nomes como Vinícius Júnior e Estêvão.
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