
‘Rápido, rápido, rápido! Vai, vai, vai, vai!’ Foram essas as palavras de Matt Donohue, árbitro de vídeo do clássico de Manchester, enquanto corria para validar o gol da vitória de Erling Haaland. Só que Enzo Fernandez estava três metros impedido antes de tentar cabecear no lance. Nem Donohue nem seu assistente Blake Antrobus perceberam. O gol foi confirmado e, segundo Dale Johnson, correspondente da BBC Sport, a Premier League viveu um dos erros de VAR mais catastróficos da sua história. Para o torcedor brasileiro, acostumado às polêmicas do Brasileirão, a cena é dolorosamente familiar.
O que aconteceu na cabine do VAR
O erro é simples de explicar: ninguém checou a posição de Enzo Fernandez. Com pressa para não travar o jogo, Matt Donohue passou pelas etapas da revisão sem traçar as linhas de impedimento na fase correta do lance. Blake Antrobus, o assistente, não corrigiu.
Três metros não é impedimento de centímetro, daqueles que geram debate sobre a linha. É uma posição que qualquer torcedor no sofá enxerga. E é exatamente isso que deixa a PGMOL, entidade dos árbitros ingleses, em situação tão constrangedora.
Wayne Rooney, ídolo do Manchester United, classificou as decisões da arbitragem no jogo como ‘desconcertantes’.
Por que esse erro é pior do que um lance mal interpretado
O VAR existe para corrigir erros claros e óbvios. Neste caso, foi o próprio VAR que criou o erro. O gol de Haaland deveria ter sido anulado, e ele decidiu o clássico mais assistido do planeta.
O detalhe que mais impressiona é o tom de Donohue: ‘quick, quick, quick, go, go, go’. Querer agilidade para não quebrar o ritmo da partida é compreensível. Mas clássico não se revisa no modo acelerado. A pressa substituiu a checagem.
Também cabe questionar o protocolo. O assistente do VAR existe justamente como segunda barreira. Quando os dois falham no mesmo lance, o problema é do sistema, não só dos indivíduos.
O torcedor brasileiro conhece bem essa história
No Brasil, o VAR é assunto de todo fim de semana. Clubes da Série A já pediram áudios da cabine à CBF, e a divulgação das conversas dos árbitros virou rotina. O caso inglês mostra que transparência, sozinha, não impede o erro.
Os brasileiros que atuam na Premier League vivem esse cenário de perto. Um clássico decidido por um impedimento de três metros não checado afeta tabela, confiança e, no fim da temporada, vagas em competições europeias.
A lição para o Brasileirão é direta: a cobrança por VAR mais rápido não pode virar VAR apressado. Revisão lenta e certa vale mais que revisão rápida e errada.
E agora? Consequências para Donohue, Antrobus e a PGMOL
No curto prazo, a expectativa é que os dois árbitros de vídeo sejam afastados das próximas rodadas, como a PGMOL já fez em casos parecidos. Até o momento, nada foi anunciado oficialmente.
O resultado do clássico não muda. O regulamento da Premier League não prevê novo jogo por erro de arbitragem, mesmo quando reconhecido.
A pergunta que fica é estrutural: o VAR deveria ser obrigado a checar o impedimento de todos os envolvidos no lance antes de liberar o gol? Depois deste clássico, a resposta parece óbvia.
FAQ
Qual foi o erro do VAR no clássico de Manchester?
O VAR validou o gol da vitória de Erling Haaland mesmo com Enzo Fernandez três metros impedido antes de tentar cabecear no lance. Os árbitros de vídeo Matt Donohue e Blake Antrobus não checaram a posição dele.
Quem era o árbitro de vídeo do jogo?
Matt Donohue atuou como VAR, com Blake Antrobus como assistente. É Donohue quem diz ‘quick, quick, quick, go, go, go’ durante a revisão.
O resultado do clássico pode ser alterado?
Não. O regulamento da Premier League não permite repetir a partida nem mudar o placar por erro de arbitragem, ainda que reconhecido.
O que Wayne Rooney disse sobre a arbitragem?
O ex-capitão do Manchester United chamou as decisões da arbitragem no clássico de ‘desconcertantes’.
O que o Brasileirão pode aprender com esse caso?
Que agilidade nunca pode substituir a checagem. A divulgação de áudios do VAR, já comum no Brasil, é positiva, mas não evita o erro se o protocolo de revisão for atropelado pela pressa.
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