
Gianni Infantino convocou os membros da diretoria executiva da Fifa para uma reunião no Marrocos nesta quarta-feira, dias depois de abandonar seu plano de vender as operações comerciais e de eventos da entidade. O presidente da Fifa desde 2016 terá que se explicar diante dos próprios executivos. O estopim foi um memorando interno duríssimo do secretário-geral Mattias Grafstrom enviado aos funcionários da Fifa. Na terça, Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global do futebol, se afastou publicamente do plano: disse que não estava “envolvido” no projeto Fifa Forward Enterprise e que abortá-lo era “absolutamente necessário e além de qualquer questionamento”. A dez meses da Copa do Mundo de 2026, a governança da Fifa virou o assunto do momento.
O que era o projeto Fifa Forward Enterprise?
O Fifa Forward Enterprise era um plano para transferir parte das operações comerciais e de eventos da Fifa para uma estrutura separada. O projeto foi abandonado após uma onda de críticas internas. Segundo a BBC Sport, o que precipitou o recuo foi um memorando interno altamente crítico do secretário-geral Mattias Grafstrom, enviado aos funcionários da entidade.
O ponto central da resistência é o controle. A Fifa é uma associação de direito suíço pertencente às suas 211 federações-membro, e colocar a receita comercial numa entidade separada foi lido internamente como perda de soberania sobre o principal ativo da instituição. A reunião desta quarta no Marrocos serve para Infantino responder diretamente a essas objeções.
Por que o recuo de Arsène Wenger pesa tanto
A declaração de Wenger é o golpe político mais duro do episódio. Chefe de desenvolvimento global do futebol da Fifa desde 2019, o francês afirmou na terça que não estava “envolvido” no projeto e que abortá-lo era “absolutamente necessário e além de qualquer questionamento”.
Quando um dirigente desse nível se desassocia publicamente de uma iniciativa presidencial, o sinal é claro: a contestação não vem da periferia da organização, vem da cúpula. Wenger não é um funcionário qualquer — é o rosto técnico da Fifa em projetos de desenvolvimento, incluindo os programas de formação que chegam à América do Sul.
O que isso significa para o Brasil e os clubes brasileiros
O efeito imediato sobre o futebol brasileiro é nulo — nada no calendário ou nas regras muda por causa disso. Mas a governança da receita comercial da Fifa importa diretamente para os clubes do país, porque é dela que saem os repasses de solidariedade e o Club Benefits Programme, que indemniza clubes por cederem jogadores à Copa do Mundo.
O Brasil é um dos maiores exportadores de jogadores do mundo, e clubes como Flamengo, Palmeiras e São Paulo estão entre os beneficiários recorrentes desses mecanismos. Qualquer reorganização da forma como a Fifa administra suas receitas comerciais tem impacto direto no valor que desce até a base do futebol brasileiro — por isso o desfecho dessa disputa interna não é assunto apenas de Zurique.
A posição de Infantino está ameaçada?
Não há indicação de que o cargo de Gianni Infantino esteja em risco. Presidente desde 2016, ele foi reeleito sem oposição em 2023 e seu mandato vai até 2027. A diretoria que ele reuniu no Marrocos é um órgão executivo, não a instância capaz de destituí-lo — só o Congresso da Fifa, com as 211 federações, tem esse poder.
O que está em jogo é capital político. Um presidente contestado pelo próprio secretário-geral e publicamente abandonado pelo chefe de desenvolvimento do futebol chega enfraquecido à reta final de preparação da maior Copa da história: 48 seleções, três países-sede, 104 jogos.
A Copa de 2026 pode ser afetada?
A organização esportiva da Copa de 2026 não está em risco por causa dessa crise interna. O torneio começa em 11 de junho de 2026, com 48 seleções divididas em 12 grupos, e segue um calendário definido, com contratos de transmissão e patrocínio já assinados — o abandono do Forward Enterprise apenas mantém essa gestão dentro da própria Fifa, como nas edições anteriores.
Para a seleção brasileira, no Grupo C ao lado de Marrocos e Haiti, nada muda no plano esportivo. A crise se desenrola em gabinetes, não nos gramados norte-americanos, e a preparação do time de Ancelotti segue seu curso normal.
FAQ
O que era o projeto Fifa Forward Enterprise?
Era um plano de Gianni Infantino para transferir parte das operações comerciais e de eventos da Fifa a uma estrutura separada. Foi abandonado após fortes críticas internas, incluindo um memorando do secretário-geral Mattias Grafstrom enviado aos funcionários da entidade.
Por que Infantino convocou uma reunião no Marrocos?
Para responder diretamente às críticas internas geradas pelo projeto abandonado. Ele convocou os membros da diretoria executiva da Fifa depois do memorando crítico do secretário-geral e do afastamento público de Arsène Wenger em relação ao plano.
Qual foi o papel de Arsène Wenger nessa história?
Nenhum, segundo ele próprio. O chefe de desenvolvimento global do futebol da Fifa afirmou na terça-feira que não estava ‘envolvido’ no projeto e que abortá-lo era ‘absolutamente necessário e além de qualquer questionamento’.
Gianni Infantino corre risco de perder o cargo?
Não há indicação disso no momento. Presidente desde 2016 e reeleito sem oposição em 2023, seu mandato vai até 2027. Apenas o Congresso da Fifa, que reúne as 211 federações-membro, teria poder para destituí-lo — não a diretoria reunida no Marrocos.
Isso muda alguma coisa para a seleção brasileira na Copa de 2026?
Não. O calendário do torneio segue inalterado e o Brasil disputa o Grupo C, com Marrocos e Haiti entre os adversários. A crise diz respeito à governança interna da Fifa, não à organização esportiva da competição.
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