Infantino por um fio? Quem pode assumir a Fifa se ele cair

FIFA president Gianni Infantino arrives for the World Cup final on 19 July

Gianni Infantino está por um fio — e a virada foi rápida. No dia 19 de julho, o presidente da Fifa entregava a taça da Copa do Mundo 2026 à Espanha ao lado do presidente americano Donald Trump, coroando semanas cruzando os Estados Unidos de jato particular para estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Menos de duas semanas depois, está sozinho: condenado publicamente pelo primeiro-ministro britânico Andy Burnham e criticado pelos torcedores do futebol que diz querer proteger. A pergunta virou inevitável: se ele cair, quem assume?

Por que Infantino ficou isolado agora

Infantino ficou isolado porque o estilo pessoal com que conduziu a Copa 2026 acabou se voltando contra ele. Durante a reta final do torneio, ele fez uma maratona de jato particular pelos Estados Unidos para aparecer em praticamente todos os jogos decisivos, até a final de 19 de julho vencida pela Espanha.

O ponto de virada foi a cerimônia. Entregar o troféu ao lado de Donald Trump colou nele a imagem de dirigente político, não de gestor do esporte. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham o condenou publicamente, e organizações de torcedores passaram a acusá-lo de transformar o futebol em vitrine.

Nada disso, sozinho, derruba um presidente da Fifa. O problema é o acúmulo: pressão política, pressão da torcida e um vazio de aliados justamente no momento em que ele deveria estar colhendo os frutos de um Mundial bem-sucedido dentro de campo.

Como se troca o presidente da Fifa

O presidente da Fifa é eleito pelo Congresso, onde cada uma das 211 federações filiadas tem um voto. A CBF vale exatamente o mesmo que a federação de uma ilha do Pacífico — e é por isso que eleições na Fifa se ganham somando pequenas federações da África, da Ásia e da Concacaf, não conquistando as potências europeias.

Se houvesse renúncia antes do fim do mandato, a estrutura atual seguiria à frente da entidade até um Congresso — ordinário ou extraordinário — eleger um sucessor. Ou seja: mesmo uma saída abrupta não produziria mudança imediata de rumo.

Vale o alerta: até aqui não há qualquer renúncia anunciada. O que está em jogo, por enquanto, é a autoridade política de Infantino.

Os nomes cotados para substituí-lo

O nome mais citado é o de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, que passou de aliado a adversário declarado de Infantino em temas como o calendário internacional e o Mundial de Clubes. Tem estatura para o cargo, mas carrega o rótulo europeu — historicamente um problema no Congresso da Fifa.

Na América do Sul, o nome que aparece nas conversas é o de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, que construiu boa relação com federações fora da Europa. É importante frisar: não há candidatura oficializada por ninguém, e tudo o que circula é especulação de bastidores.

E o Brasil? A CBF não tem um candidato natural à presidência da Fifa, mas tem voto e peso simbólico como país pentacampeão. O nome de Ronaldo Nazário aparece com frequência em conversas sobre política do futebol, sem que exista qualquer indicação de que ele dispute um cargo na Fifa.

O que muda para o Brasil e para os jogadores brasileiros

Para o Brasil, o efeito mais direto seria no calendário. A expansão do Mundial de Clubes e o inchaço das datas Fifa afetam em cheio os clubes brasileiros, que já disputam Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores no mesmo ano — e os jogadores da seleção que atuam na Europa chegam esgotados às convocações.

Uma presidência mais alinhada às ligas nacionais tenderia a frear essa inflação de jogos. Na prática, isso significa atletas como Vinicius Júnior, Rodrygo e Estêvão chegando com mais folga física às janelas de seleção — algo que a comissão técnica cobra há anos.

Há ainda o lado financeiro. Uma parte relevante da receita da CBF e dos programas de desenvolvimento no país vem da distribuição de recursos da Fifa. Qualquer troca de comando redesenha essas prioridades.

O cenário mais provável nas próximas semanas

O cenário mais provável é Infantino permanecer no cargo no curto prazo. Ele foi reeleito sem oposição em 2023 e mantém apoio amplo entre federações que dependem dos programas de desenvolvimento da entidade. Críticas de políticos europeus não movem votos no Congresso.

O que deve mudar é o raio de ação. Um presidente enfraquecido negocia pior, impõe menos reformas e precisa dividir poder com Uefa, Conmebol e as grandes ligas. É aí que a disputa real vai acontecer.

O que acompanhar: a data e a pauta do próximo Congresso da Fifa, os posicionamentos públicos das confederações e o destino dos temas mais contestados — Mundial de Clubes ampliado, calendário 2027-2030 e divisão das receitas da Copa 2026.

FAQ

Gianni Infantino renunciou à presidência da Fifa?

Não. Não houve anúncio de renúncia. Infantino segue como presidente da Fifa, ainda que sob forte pressão política e da torcida após a Copa do Mundo 2026.

Quem pode substituir Infantino na Fifa?

Não há candidatura oficial. Os nomes mais citados nos bastidores são Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol — mas ambos como especulação, não como candidaturas confirmadas.

Como funciona a eleição do presidente da Fifa?

A escolha é feita pelo Congresso da Fifa, com um voto para cada uma das 211 federações filiadas. A CBF tem o mesmo peso de qualquer outra federação, independentemente do tamanho do país.

Por que Infantino está sendo criticado após a Copa 2026?

Pela proximidade exibida com Donald Trump na entrega do troféu em 19 de julho, pelo estilo de gestão centralizador e pelo inchaço do calendário. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham o condenou publicamente.

Uma mudança na Fifa afetaria a seleção brasileira?

Sim, principalmente no calendário. Uma presidência mais atenta às ligas nacionais reduziria a quantidade de jogos e datas Fifa, o que significaria jogadores brasileiros menos desgastados nas convocações e nos torneios oficiais.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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