Políticos, jatos particulares e poder: a vida de um presidente da Fifa

FIFA president Gianni Infantino at a press conference

Gianni Infantino desceu do avião em Cali e foi recebido na própria pista pelo presidente da Federação Colombiana de Futebol, Ramon Jesurun. Sorrisos, foto e publicação imediata no Instagram da entidade. O motivo da viagem, porém, não era uma reunião qualquer de futebol: o presidente da Fifa foi à posse do novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella. A reportagem de Dale Johnson, para a BBC Sport, expõe o que o cargo virou — uma função política de tempo integral.

O que a viagem de Infantino à Colômbia revela

A ida a Cali mostra o método: o presidente da Fifa vai onde está o poder político, não apenas onde a bola rola. Ramon Jesurun, dirigente colombiano e aliado próximo de Infantino, foi até a pista recebê-lo, e a federação tratou de publicar a imagem nas redes sociais. É apoio público de um lado e visibilidade internacional do outro.

Nada disso é decorativo. O presidente da Fifa é eleito pelas 211 federações filiadas, então cada aparição ao lado de um dirigente vale como capital eleitoral. E a proximidade com governos abre portas para garantias estatais, estádios e verbas públicas — itens obrigatórios para organizar uma Copa do Mundo.

Um mandato com agenda de chefe de Estado

A rotina do cargo hoje é diplomática: posses presidenciais, cúpulas, recepções oficiais e viagens encadeadas entre continentes. O título da apuração da BBC — políticos, jatos particulares e poder — descreve a transformação do posto desde que Infantino foi eleito, em 2016.

Existe uma lógica nisso. A Copa de 2026 será disputada em três países (Estados Unidos, Canadá e México) e terá 48 seleções pela primeira vez. Um torneio desse tamanho depende de acordos sobre vistos, segurança, infraestrutura e impostos — assuntos que se resolvem com governos, não com treinadores.

Por que isso interessa ao Brasil e à CBF

Para a seleção brasileira, a consequência prática é o formato: 48 seleções e 104 jogos alteram o caminho até a final e alongam a competição. O Brasil chega a 2026 sob comando de Carlo Ancelotti, com a missão do hexa, e enfrentará um torneio mais longo e mais espalhado geograficamente do que qualquer edição anterior.

A CBF opera dentro dessa engrenagem via Conmebol. Datas de janela internacional, divisão de receitas e regras de liberação de atletas são definidas em Zurique e chegam prontas ao Brasil — afetando desde a preparação da seleção até o planejamento das Séries A e B.

Clubes brasileiros no meio do aperto do calendário

O calendário é o ponto de atrito mais direto para o futebol brasileiro. Com Mundial de Clubes ampliado para 32 times e uma Copa do Mundo maior, sobra menos espaço entre temporadas — e o Brasileirão, que já convive com estaduais, Copa do Brasil e Libertadores, absorve o impacto.

Clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo perdem atletas em mais janelas de seleção e recebem jogadores de volta com menos tempo de recuperação. O resultado aparece em desgaste físico e em lesões concentradas nas fases decisivas da temporada.

Poder contestado, mas consolidado

Infantino mantém apoio amplo porque a Fifa distribui receitas recordes às federações filiadas, incluindo as menores. Essa é a base real de sustentação do mandato, muito mais do que a opinião das ligas europeias.

As críticas seguem: governança, proximidade com líderes políticos e sobrecarga de jogos. Até aqui, nenhuma delas abalou sua posição — e a Copa de 2026 será a maior vitrine do seu período no cargo.

FAQ

Por que Gianni Infantino foi à Colômbia?

Para participar da posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella. Ele foi recebido na pista do aeroporto de Cali por Ramon Jesurun, presidente da federação colombiana.

Quem é Ramon Jesurun?

Presidente da Federação Colombiana de Futebol (FCF) e aliado próximo de Infantino. Foi a própria federação que divulgou a foto do encontro no Instagram.

Desde quando Infantino comanda a Fifa?

Ele foi eleito presidente da entidade em 2016, após a queda de Sepp Blatter, e segue no cargo desde então.

O que muda na Copa do Mundo de 2026?

O torneio será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México com 48 seleções em vez de 32, o que aumenta o número de jogos e alonga a competição.

Como isso afeta os clubes brasileiros?

Mais janelas de seleção e menos descanso entre temporadas. Clubes do Brasileirão perdem atletas por períodos maiores e os recebem de volta com desgaste acumulado.

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By sasha

Sasha é redator de futebol e analista de partidas da Copa do Mundo 2026. Especializado em tática, momento das seleções e mercados de apostas, Sasha analisa cada jogo, as escalações prováveis e as odds para o leitor acompanhar o torneio com vantagem.

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